Trás-os-Montes supre falhas do estado nos transportes do interior

   Tempo de leitura: 2 minutos

Redação |

Entrou em funcionamento no passado dia 3 de agosto a nova rede de transportes promovida pela Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes. O novo sistema visa responder às necessidades de mobilidade nos nove concelhos que integram a região.

A frota afeta à operação é constituída por 90 autocarros, dos quais 30 são veículos limpos e ecológicos. De forma a facilitar a adaptação da população, o transporte será gratuito numa fase experimental que se estende até ao dia 13 de setembro.

A grande novidade da rede é o transporte a pedido, uma modalidade pensada para dar resposta a todas as aldeias e combater a interioridade. Este serviço entrará em funcionamento após o período experimental, e funcionará mediante agendamento prévio por parte dos passageiros.

O novo sistema de transporte público terá periodicidade de duas vezes por semana, garantindo duas viagens diárias. O serviço será reforçado nos dias de mercado de cada concelho, garantindo-se, nessas datas, a realização de três viagens.

O projeto representa um investimento de cinco milhões de euros anuais ao longo dos próximos quatro anos. Reivindicada há vários anos pelos autarcas locais, esta medida surge, segundo Pedro Lima, presidente da Comunidade Intermunicipal, como “uma resposta ao isolamento de muitas localidades do interior, sendo uma questão de justiça”.

O responsável lamentou ainda que tenham de ser as autarquias a substituir ao Estado, criticando o abandono dos serviços públicos no interior: “O Estado deixou de prestar serviços às populações nas aldeias, nos lugares e subsequentemente nas vilas também, criando a necessidade deste transporte para princípios básicos de saúde, educação ou até interação com organismos estatais.”

A intervenção ocorre num território que agrupa os concelhos de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais: No total, a sub-região abrange 5.543,61 km², o que representa cerca de 6% do território continental português.

Segundo os dados do Censo de 2021, a região contava com 107,293 habitantes, uma quebra superior a 10% em relação aos 117,527 registados em 2011. Este decréscimo resulta da emigração histórica, do êxodo rural e de um saldo natural negativo, traduzindo-se numa densidade populacional de 19,35 hab/km².

A dinâmica demográfica supera os 300 idosos por cada 100 jovens na maioria dos municípios — valor significativamente acima da média nacional, que ronda os 180. Também se regista uma forte polarização demográfica e de serviços. Os concelhos de Bragança e Mirandela concentram mais de 50% da população total da sub-região e também nestes dois polos urbanos é que se localizam a quase totalidade das especialidades médicas e da oferta de ensino superior.


Fotografias: Município de Vila Flor

Share