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O Porto de Leixões vai receber mais de mil milhões de euros de investimento até 2035, através do seu novo Plano Estratégico, para reforçar a sua integração nas cadeias logísticas ibéricas e europeias. Com isso, o porto visa ganhar competitividade face aos principais concorrentes da Galiza e do noroeste peninsular para responder ao crescimento do comércio externo.
O Porto de Leixões é responsável por movimentar cerca de 25% do comércio externo português por via marítima. Destaca-se como hub de carga geral, granéis e contentores, servindo o tecido industrial do têxtil, calçado e metalomecânica.
Segundo os Relatórios de Contas, Memória Anual e Estatísticas do Tráfego da APDL, regista um volume de negócios anual superior a 50 milhões de euros em rendimentos operacionais, movimenta anualmente entre 14 e 15 milhões de toneladas de carga e serve mais de 2.500 navios. O porto destaca-se no tráfego de contentores — 650 mil a 700 mil por ano — e na movimentação de granéis líquidos e sólidos.
Por sua vez, o Porto de Vigo é o principal motor económico e logístico do Atlântico no tráfego de pesca e na indústria automóvel. Segundo dados da Autoridade Portuária de Vigo e do Observatório do Mar, Vigo lidera a Europa na movimentação de pesca fresca e congelada, servindo como hub global de distribuição alimentar.
Segundo a Memória Anual e Relatórios Estatísticos da Autoridade Portuária de Vigo, o porto gere um volume de negócios anual na ordem dos 25 a 30 milhões de euros em receitas diretas de exploração e movimenta entre 4,5 e 5 milhões de toneladas de mercadorias. Destacam-se o setor automóvel, com mais de 600 mil veículos, e o da pesca, onde ultrapassa as 300 mil toneladas.
Tendo em conta esta realidade objetiva e perante o posicionamento concorrencial do governo português, a cooperação entre os portos de Leixões e Vigo tem sido alvo de reflexão por parte de académicos, empresários e responsáveis institucionais.
O economista e ex-presidente galego Fernando González Laxe defendeu no Foro Económico da Galiza e no Propeller Club que a estratégia portuária deve evitar investimentos isolados e a concorrência tarifária direta entre Vigo e Leixões. Segundo o especialista, a prioridade deve ser a intermodalidade, a oferta de serviços e o posicionamento internacional. Por fim, sustentou que a Eurorregião necessita de “portos secos” e de uma rede ferroviária articulada para garantir um sistema logístico verdadeiramente integrado.
Álvaro Costa, catedrático da Universidade do Porto e especialista em infraestruturas, defendeu no Jornal de Notícias e em fóruns sobre o corredor atlântico uma visão integrada para o Eixo Atlântico. Costa sustenta que a escala geográfica regional exige a racionalização dos investimentos e que a cooperação logística — impulsionada pela ferrovia de mercadorias — permite criar um sistema eurorregional capaz de atrair tráfegos internacionais, evitando o desvio de mercado para hubs globais.
Jorge Cebreiros, presidente da Confederação Empresarial de Ponte Vedra – segundo declarações prestadas em debates no Eixo Atlântico e à Radio Vigo – defendeu a cooperação e um lobby comum para o corredor atlântico e a ligação ferroviária Porto–Vigo. Focado na competitividade da eurorregião, argumentou que a verdadeira ameaça não vem do porto vizinho, mas sim dos grandes centros logísticos do Norte da Europa e de África.
Por sua vez, Luís Neto Galvão, jurista especialista em regulação e infraestruturas marítimo-portuárias, aponta em artigos de opinião no Transportes & Negócios e no ECO que, embora a concorrência possa estimular a eficiência, o verdadeiro desafio de Leixões e Vigo não se joga entre si, mas face aos grandes portos europeus. O especialista advoga a criação de uma colaboração logístic partilhada, focada na desburocratização alfandegária e na interoperabilidade digital comum.
Por outro lado, o Círculo de Empresários da Galiza, em relatórios estratégicos, alerta para o risco de o Porto de Vigo perder terreno e capacidade operacional perante o forte investimento público e a estratégia integrada em Leixões. A associação empresarial sublinha que a falta de ligações ferroviárias de mercadorias em Vigo penaliza a indústria local, exigindo uma visão estratégica eurorregional que impeça a perda de rotas marítimas na fachada atlântica.
Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal, reiterou em encontros do Eixo Atlântico que a cooperação entre Leixões e Vigo — suportada pela ligação ferroviária de mercadorias — é vital para assegurar a competitividade dos clusters industriais do Norte e da Galiza, reduzindo custos e tempos de transporte.
Carlos Botana, presidente da Autoridade Portuária de Vigo, reconheceu ao portal VigoÉ, que Vigo e Leixões competem com “respeto, mas de soslaio”. Destacando que Portugal possui uma visão de Estado clara para os portos, defendeu que Vigo deve focar-se em nichos de valor acrescentado — como a pesca, o tráfego de automóveis e a economia azul — enquanto mantém uma convivência funcional com Leixões.
A Comunidade Portuária de Leixões, sublinha em posicionamentos públicos sobre o Plano Estratégico do porto, reconhece a necessidade de complementaridade regional, esclarecendo que a expansão da capacidade de Leixões deve garantir que a indústria nortenha não fique dependente de portos fora da eurorregião.
O ex-presidente Autoridade Portuária de Vigo, Jesus Vázquez Almuiña, enfatizou ao Atlântico Diário que a falta de uma ligação ferroviária direta desfavorece o cais viguês face a Leixões. Segundo o responsável, a sobrevivência e o crescimento dos portos do Noroeste Peninsular dependem crucialmente da especialização e de uma forte capacidade de conexão intermodal com o interior da península.
Por fim, Nuno Araújo, ex-presidente da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, defendeu em entrevistas ao Jornal de Negócios, Público e Transportes & Negócios a importância de não descurar a coordenação eurorregional na ferrovia e nos portos secos.
Fotografia: APDL





