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Mais do que uma simples data no calendário oficial, o 25 de julho em Compostela resume as múltiplas almas da Galiza contemporânea: a tradição histórica, a religiosidade popular, a memória cívica, a cultura de base e a reivindicação política. Num único dia, a capital compostelana converte-se no espelho e ponto de encontro de todo um país e a data em epicentro do calendário institucional, festivo e político.
A origem da data como celebração remonta a 1919
Foi nesse ano que as Irmandades da Fala acordaram fixar um Dia da Pátria1 ligado à festividade de Santiago. Procurava-se, assim, numa data já muito celebrada popularmente, unir o simbolismo mítico e religioso da capital galega à reivindicação política do país.
Durante a ditadura franquista, a data foi proibida e fortemente reprimida, o que multiplicou o seu poder simbólico de dia de luta e resistência política. Finalmente em 1979, de acordo com o Estatuto de Autonomia e a legislação subsequente, a denominação oficial desta jornada passou a ser Dia Nacional da Galiza.
Atualmente, diferentes instituições outorgam neste dia os seus reconhecimentos civis. Destacam-se as Medalhas da Galiza do Governo galego e as distinções Alva de Compostela concedidas pela Câmara Municipal, que homenageiam personalidades e entidades pelo seu contributo à cultura, à ciência ou à sociedade.
O dia nacional da Galiza guarda também um forte componente cívico voltado para a memória histórica e o papel do exilados na luta anti-franquista. Assim, no Panteão de Galegos Ilustres realizam-se homenagens e atos de memória diante dos túmulos de Rosalia de Castro e Daniel Castelao.
Um dia de reivindicação soberanista
Mas o 25 de julho é sobretudo o dia de maior visibilidade das reivindicações nacionais. O ato central da vertente política é a manifestação convocada pelo Bloco (BNG) o Dia da Pátria Galega converte Compostela no centro da reivindicação política e social. A marcha, este ano sob a palavra de ordem : “Somos uma nação: soberania e direitos num mundo en paz“, que desemboca na Praça da Quintã, reúne anualmente dezenas de milhares de pessoas em defesa da soberania e do autogoverno. Outras formações políticas e sindicais realizam os seus próprios atos e oferendas florais, assim como comícios das esquerdas soberanistas e sociais.
Porém, o espírito festivo da capital galega não espera pela manhã do dia 25. Santiago de Compostela tem uma população residente de cerca de 100.000 habitantes, mas na noite de 24 de julho a população flutuante chega a duplicar ou triplicar. Entre moradores, turistas, peregrinos e dezenas de milhares de pessoas que se deslocam de toda a Galiza, calcula-se que a cidade acolha entre 150.000 e 200.000 pessoas em simultâneo. Um outro evento icónico da noite é o espetáculo audiovisual e pirotécnico da Catedral e paralelamente, sendo que o Campus Universitário acolhe o Festigal um festival reivindicativo gratuito de referência organizado pelo Galiza Nova e a Fundação Galiza Sempre.
Também na véspera a MPI (Mocidade pola Independência) convocou mais um ano a sua tradicional manifestação sob a palavra de ordem “Tomamos as ruas para conseguir a independência” destacando-se ainda a cadeia humana do organismo Ceivar com mais de 300 participantes e apresentada como um gesto coletivo de apoio às presas independentistas galegas e de denúncia da repressão contra os movimentos políticos e sociais
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- “esse santo dia representará o principio do fim tanto tempo desejado pelos verdadeiros galegos. Nele começará uma nova vida na qual a cruzada dos povos trabalhadores pra conquistar a liberdade e a soberania nacional não sejam mais impedidas pelas vampiresas oligarquias centralistas” in A Nosa Terra (25/7/1920). Deslocava-se com esse acordo uma outra data possível, 17 de dezembro, aniversário da execução pública em 1483 do Marechal Pardo de Cela por ordem dos Reis Católicos ↩︎










