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Entre 1950 e 1990, mais de 200.000 barris de resíduos radioativos foram despejados no Atlântico Nordeste frente às costas galegas. Após uma primeira missão realizada entre junho e julho de 2025 para mapear a zona, o projeto Nodssum, liderado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), retornou ao mar no final de maio passado. O objetivo principal desta nova fase é avaliar o estado de conservação dos contentores e o impacto ambiental produzido.
Esta campanha de 2026, conta com a colaboração de vários parceiros franceses e internacionais. O objectivo principal é compreender melhor as interações entre os 200.000 barris de resíduos radioactivos e avaliar o impacto deste lixo radiativo nos ecossistemas oceânicos. Nesta segunda missão, realizada entre o final de maio e o final de junho, cerca de trinta cientistas embarcaram no navio Pourquoi Pas?
O submarino tripulado Nautile, operado pela Flotte Océanographique Française, realizou 20 mergulhos a mais de 4.700 metros. As amostras e observações obtidas trazem novos dados sobre o impacto destes resíduos. Os cientistas conseguiram documentar o estado avançado de degradação de vários barris — observando mesmo a fuga de conteúdo em alguns deles — e identificar os diferentes materiais de revestimento utilizados.
Medições realizadas no local confirmam a presença de radionuclídeos característicos deste resíduo, em níveis de atividade superiores aos esperados. Em todo o caso, as medições realizadas revelam níveis de atividade limitados que permitem, por enquanto, o manuseamento das amostras sem restrições de radioprotecção.
Paralelamente, foram recolhidas amostras de água, sedimentos e organismos vivos para estudar em detalhe os mecanismos de dispersão e transferência da radioactividade no ambiente. Também foram obtidas novas observações suscetíveis de contribuir para a identificação da origem de determinados contentores.
O caminho entre o protesto civil e a missão científica atual
As observações da complexa operação de monitorização científica dá a razão ao que, na década de 1980, foi um grito reivindicativo pioneiro a bordo do palangreiro galego Xurelo. Os mais de 200.000 barris de resíduos radioactivos despejados frente às costas galegas, que a tripulação do barco de Ribeira fotografou e denunciou em 1981, constituem hoje o objeto de estudo de missões oceanográficas.
Se outrora os ativistas galegos desafiavam fragatas e cargueiros à superfície para travar a contaminação da Fossa Atlântica, hoje são os investigadores franceses que, com o apoio de alta tecnologia e submarinos, descem 4.700 metros de profundidade para analisar o impacto real dos resíduos radiactivos. O estado avançado de degradação dos contentores, agora documentado, confirma a urgência dos alertas lançados há mais de quarenta anos.
Fotografia: Centre National de la Recherche Scientifique





