O Instituto Internacional da Língua Portuguesa organiza, pela primeira vez na Galiza, o Curso de capacitação para a elaboração de materiais didáticos de português. A iniciativa é direcionada a docentes de língua portuguesa para responder às especificidades dos falantes galegos.
Redação |
Pela primeira vez, Santiago de Compostela acolherá uma formação para docentes de língua portuguesa deste organismo internacional. O evento decorrerá entre os dias 6 e 11 de julho nas instalações da Escola Galega de Administração Pública. A iniciativa insere-se no plano de formação para 2026 do IILP e integra as ações do projeto Portal do Professor de Língua Portuguesa como Língua Estrangeira / Não Materna.
Este curso resulta da colaboração entre o IILP e a Academia Galega de Língua Portuguesa (Observador Consultivo da CPLP), contando ainda com o apoio decidido do Governo Galego e da Associação de Docentes de Português da Galiza , que também detém o estatuto de Observador Consultivo da CPLP.
A docência estará a cargo das doutoras Edleise Mendes, professora de Estudos Linguísticos da Universidade Federal da Bahia, e Viviane Furtoso, docente associada do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Estadual de Londrina.
O propósito desta formação é a habilitação de docentes para a produção de materiais formatados de maneira padronizada, alargando o número de unidades didáticas disponíveis no portal do IILP —e por vez primeira adaptadas à realidade galega—. O encontro criará equipas de trabalho capazes de dar continuidade a este projeto no tempo. O programa totaliza uma carga horária de 35 horas e, devido à natureza prática dos módulos, as inscrições estão limitadas a 40 assistentes.
No final, todas as unidades e materiais produzidos pelos participantes serão disponibilizados publicamente no Portal do Professor de Português Língua Estrangeira. Esta plataforma digital partilha recursos de apoio ao ensino do português como língua estrangeira ou não materna, para cooperação linguística e cultural entre todos os estados membro da CPLP. Esta será a 16ª edição do curso, a primeira em território galego.
O edital de abertura com as condições de inscrição e restante informação sobre o curso pode ser acessada na web oficial dos docentes galegos de português ou na página oficial do IILP
O Instituto Internacional da Língua Portuguesa
A tutela do evento pertence ao Instituto Internacional da Língua Portuguesa, sediado em Cabo Verde e centrado na promoção, defesa, enriquecimento e difusão global do idioma nos campos da cultura, da ciência e dos fóruns internacionais. Criado em 1989 e integrado à estrutura da CPLP é o órgão encarregado de implementar as políticas linguísticas definidas pela comunidade. A nível técnico, o curso será operacionalizado por meio do Portal do Professor de Português Língua Estrangeira.
O Curso de formação em contexto: Continuidade dum mosaico de atividades lusófonas que vieram para ficar
Compostela é a sede onde se têm desenvolvido ao longo dos últimos anos diversas conferências e seminários sob a chancela da Comissão temática de Difusão da Língua Portuguesa. No total já se organizaram três eventos oficiais1 na Universidade de Santiago com a participação da CPLP e o apoio do governo galego.
Através dos trabalhos da Academia Galega da Língua Portuguesa e do impulso social e político unânime dado à candidatura galega como território autónomo, foi o conjunto do Estado espanhol que finalmente acabou por entrar como observador associado para a CPLP em 2021. Contudo, da atividade institucional de promoção da língua portuguesa por parte de Madrid pouco se tem informado publicamente.
Além disso, e fruto dos mesmos esforços, a capital galega integra desde 2017 a União das Cidades Capitais de Língua portuguesa (UCCLA) embora com um baixo perfil de participação nesta organização de âmbito global que integra 78 capitais dos 4 continentes. Uma cidade, Compostela, que atravessou quatro governos de diferentes cores políticas de 2017 até hoje num período convulso em que nenhum deles parece ter sentido a necessidade de aumentar a sua presença no seio desse organismo.
O curso do IILP é uma realidade para a qual, em palavras de académicos da AGLP, se tem trabalhado sem descanso. Acabou por se concretizar num território, a Galiza, que já tem demonstrado a sua vontade de avançar numa progressiva integração em diferentes organismos de língua portuguesa: quer seja na CPLP sindical (com a entrada do sindicato CIG em 2012) quer com o lançamento do I Congresso Internacional de Educação Ambiental dos Países de Língua Portuguesa e Galiza inaugurado em Compostela em 20072, quer com os Encontros de Mulheres da Lusofonia – Mulheres, territórios e memórias (com apoio da CPLP) ou a publicação de uma versão em português do Diário oficial do governo da Galiza (DOG) desde 20113.
Outras ações como a publicação da Lei galega de ação exterior de 2021 —voltada para o relacionamento com Portugal e outros países de língua portuguesa— ou a atual presença do Instituto Camões como membro do Observatório da lusofonia do governo galego parecem configurar, em conjunto, um mosaico de janelas de oportunidade para uma maior integração da Galiza no mundo lusófono, uma terra onde a língua, afinal, (também) teve a sua origem.



