Entrada da Académica de Coimbra em dia nublado

Extrema-direita fica fora da Universidade de Coimbra

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Após uma votação com apoio maciço, a Académica de Coimbra passa a proíbir a sua presença, firmando uma “defesa intransigente dos ideais de democracia, liberdade e igualdade”

Redação |

Em uma decisão tomada durante a última Assembleia Magna, os estudantes da Universidade de Coimbra votaram a exclusão da extrema-direita do quotidiano político e social da instituição. A proposta, apresentada pela Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, foi ratificada com 273 votos a favor, apenas três contra e 30 abstenções.

A resolução fundamenta-se na incompatibilidade entre o discurso do partido da extrema direita e os valores estatutários da Associação Académica de Coimbra. De acordo com o documento aprovado, a medida proíbe a força política de realizar “visitas ao Edifício-Sede, em moldes eleitorais, políticos, institucionais ou demais situações extraordinárias”, estendendo a restrição a “eventos ou iniciativas cívicas, sociais, económicas, mediáticas ou políticas dos órgãos centrais, intermédios e estruturas” da associação.

A Associação Académica de Coimbra defendeu a postura relembrando que a sua origem está intrinsecamente ligada à “defesa intransigente dos ideais de democracia, liberdade e igualdade”. Para os representantes estudantis, a ascensão de certas narrativas exige um posicionamento claro “perante um ataque ao espaço democrático, personificado pelo Partido Chega”.

Nas considerações finais do documento, os estudantes reforçam o papel histórico da academia: “A nossa identidade política imputa-nos a responsabilidade de não ceder a narrativas populistas e falaciosas, que promovem uma falsa noção de democracia – não tolerar o ódio é, em última instância, a linha da frente de defesa do nosso modelo democrático. A Associação Académica de Coimbra, uma vez mais, posicionar-se-á no lado certo da História – não nos calaremos, nem recuaremos, em defesa da Democracia, da Igualdade perante a Lei e da Liberdade, fazendo jus aos Estatutos da Associação Académica de Coimbra e ao legado histórico e político da instituição que representamos”.

Entre os pontos críticos listados pelos estudantes para sustentar a decisão estão as clássicas posições da extrema-direita contra os movimentos migratórios e livre trânsito das pessoas, a discriminação de comunidades e minorias, além do recorrente discurso de ódio ao diferente e o desrespeito pela separação de poderes. Tais elementos foram classificados como frontalmente opostos aos princípios da associação.

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