Portugal, segundo país da UE com maior carga horária infantil

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Menos crianças novos modelos de família e recorde de horas na escola principais conclusões do estudo sendo no mínimo 36,7 horas. Em contraste Alemanha, Irlanda e Países Baixos não chegam às 30 horas semanais.

Redação |

Menos crianças, novas famílias e muito tempo passado na escola. Esta é a principal conclusão do relatório da Pordata lançado em 1 de junho, a propósito do Dia Mundial da Criança.

Dos 50,6 milhões de crianças que vivem atualmente na União Europeia, 1 milhão e 58 mil residem em Portugal. No entanto, o retrato estatístico da Pordata, revela que o país regista a segunda maior quebra da Europa em 50 anos. Portugal passou de segundo com mais crianças (22% em 1975) para o quarto com menos (9,8% em 2025).

O relatório atesta que Portugal está no top 5 da União com maior carga horária semanal, apenas superado pela Hungria. Na faixa dos 6 aos 11 anos, onde os alunos portugueses lideram a UE com 38 horas semanais (face às 31,5 da média). Nas idades dos 3 aos 5 anos, o país ocupa o 4.º lugar (38,3 horas) e, nos menores de 3 anos, a 5.ª posição (36,7 horas). Em contraste, Alemanha, Irlanda e Países Baixos não chegam às 30 horas semanais em nenhuma idade.

O levantamento da Pordata também evidencia que, em 2025, quase 58% das crianças portuguesas até aos 3 anos estavam abrangidas por educação formal, sendo a média da União Europeia, 40,5%. O topo é liderado pela Dinamarca (67,2%), enquanto a Eslováquia fica no fundo da tabela (2%). Desde 2013, o progresso português foi de 22,1 pontos percentuais, um ritmo muito superior ao crescimento médio europeu (13,5 pp). Neste período, Malta e Lituânia destacaram-se como as que mais cresceram, enquanto a Eslováquia e a Alemanha registaram quebras.

Os dados também comprovam que em Portugal, em 2024, 94,5% das crianças entre os 3 anos e a idade escolar frequentavam a educação pré-escolar, aproximando-se da média da União Europeia (95%). Trata-se de um crescimento de 5,8 pontos percentuais face a 2013, um ritmo superior à subida média europeia (+3,2 pp). No panorama europeu, a França atingiu 100%, enquanto a Roménia registou a taxa mais baixa (76,5%). Embora Portugal já garanta uma cobertura universal (100%) para as crianças de 5 anos, o acesso ainda fica abaixo dessa meta nos 4 anos (98,5%) e nos 3 anos (88,9%).

O documento revela que, em Portugal, cerca de 10% das crianças vive em famílias monoparentais. De acordo com os dados de 2025, existem no país 793 mil agregados familiares com pelo menos uma criança menor de 12 anos (17% do total de famílias). Destas crianças, 69% vive com um casal, 20% habitam em lares com mais de dois adultos e quase 11% integram famílias monoparentais.

O cenário é semelhante ao da União Europeia, onde 12% das crianças vivem apenas com um progenitor. A Suécia lidera a percentagem de crianças a viver com um casal (85%), enquanto a Estónia regista o valor mais baixo (51%). Já a Grécia e a Eslováquia são os países com menos agregados monoparentais (3%).

O relatório da Fundação Francisco Manuel dos Santos, expõe que Portugal conseguiu retirar 103 mil crianças do risco de pobreza na última década, mas há ainda 157 mil menores de 12 anos a viver nesta situação. Esta tendência acompanha o cenário da União Europeia, que viu o número de crianças vulneráveis diminuir para 9,4 milhões em 2025 (menos 1,5 milhões face a 2015).

Conforme aponta o relatório, o nível de escolaridade dos pais é o fator decisivo para este risco em toda a Europa. Contudo, Portugal destaca-se positivamente, tendo a segunda menor disparidade da UE nos menores de seis anos: a taxa de risco de pobreza é de 41,1% se os pais tiverem apenas o ensino básico, caindo drasticamente para 5,4% se tiverem o ensino superior.

A desertificação demográfica e o envelhecimento do país refletem-se de forma avassaladora no âmbito local. Desde 1991, a proporção de crianças menores de 10 anos aumentou em apenas 4 dos 308 municípios portugueses. De acordo com a série histórica do INE, Aljezur, Lisboa, Montijo e Vila Velha de Ródão foram as únicas exceções.

Atualmente, a disparidade regional oscila entre 3,6% de população infantil em Almeida e 11,1% na Ribeira Grande. No extremo oposto do crescimento, os concelhos de Câmara de Lobos, Ribeira Grande e Porto Moniz foram os que registaram as maiores quebras na proporção de crianças nas últimas três décadas, entre 10 e 11 pontos percentuais.

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