Cravo ou craveta?
Nunca saberei como falar da liberdade.
Mas deixo uma pergunta: Será cravo ou craveta?
Desde que não esteja arrumado na gaveta!
Nem pousado só por respeito na lapela, na janela…
Um cravo (ou uma craveta) que se leve ao peito!
Que não seque, que não murche que não se esqueça.
Um cravo, uma craveta que resista.
Craveta —nome popular para flor muito semelhante ao cravo mas mais pequeno,
cresce num pequeno aglomerado, com mais quantidade de flores do que o tradicional cravo.
Ora se somos muitos e pequenos e crescemos juntos e nos propagamos…
Que bonita comparação de como se faz uma revolução!
Se está velho o cravo, recuperamos a craveta.
Que fora da capital, onde tudo é grande e pomposo,
nos pequenos jardins das aldeias, há muita craveta no quintal!
São mais pequenas, resistentes, crescem em conjunto em vez de individualmente.
Venha de lá a craveta fora da gaveta!
Venha de lá a resistência coletiva!
Não precisamos de ser seres pomposos, especiais, cultos ou iluminados.
Precisamos de fazer a nossa parte e isso já basta.
Da fotografia © 2026 – Matilde Simões

