Revolta do Barroso transforma-se em ação direta com o bloqueio das máquinas da Savannah e protestos nacionais.
Redação |
Cerca de trinta pessoas bloquearam, no passado 9 de outubro, o avanço das máquinas da mineira Savannah em terrenos baldios e privados abrangidos pela declaração de servidão administrativa. O protesto motivou também quatro manifestações de apoio em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga.
“Ninguém nos quer ouvir. Tivemos que recorrer ao bloqueio.”
A posição dos populares foi expressa pela associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso através das redes sociais evidenciando o sentimento de indignação acumulado ao longo de anos de resistência institucional e popular na região.
“Há quase 10 anos que lutamos contra a mina do Barroso. Hoje, chegámos ao limite: juntámos as nossas aldeias e pusemos o corpo à frente das máquinas para defender a nossa terra, a nossa liberdade e a vida da nossa comunidade”, declarou a UDCB nas redes sociais.
Diante do impasse com a promotora e o Executivo, o coletivo alerta que a contestação atingiu “um ponto sem retorno”, acusando o Estado de abandono e falta de escuta e submissão aos interesses económicos privados.
“Estamos a ser invadidos”
“Não aceitamos ser sacrificados para benefícios de privados e para gerar cadeias de riqueza fora de Portugal, ficando nós com a poluição e o prejuízo”, sublinharam os porta-vozes, garantindo que vão “continuar a lutar de todas as formas possíveis até acabar com este projeto”.
A crítica estende-se igualmente ao Governo, com a população a denunciar o silêncio da tutela e a reclamar igualdade de direitos perante o país. Os representantes garantem que irão continuar a lutar “de todas as formas possíveis até acabar com este projeto”, tendo o descontentamento motivado ações de solidariedade e concentrações no Porto, Coimbra, Braga e Lisboa.
“O Governo não se manifesta, está caladinho (…). Somos portugueses como os outros, temos os mesmos direitos, portanto temos o direito de defender aquilo que é nosso”, concluem as declarações divulgadas pela população.
Dimensão, impacto e cronologia da titularidade
O projeto prevê a extração de 27 milhões de toneladas de rocha em poços a céu aberto com até 600 metros de extensão por 500 de largura e 150 de profundidade. A intervenção irá incidir sobre vários depósitos contíguos de lítio, situando-se a escassos 200 metros das populações mais próximas.
O processo de licenciamento tem sido marcado por denúncias de falta de transparência e de restrição à participação pública, ao mesmo tempo que o Governo e a empresa mineira são acusados de promover estratégias de engenharia social junto da população.
A trajetória de exploração da concessão foi marcada por importantes transições na sua titularidade nas últimas duas décadas. Inicialmente sob responsabilidade da empresa Saibrais Areias e Caulinos, S.A., entre 2001 e 2008, a gestão passou para as mãos da Imerys Ceramics Portugal, S.A., que esteve à frente das operações até 2017. A partir desse ano, a titularidade assumiu uma dimensão internacional com a entrada das entidades do grupo Savannah — incluindo a Slipstream Resources Portugal, Lda., a Savannah Lithium, Lda. e a holding britânica Savannah Resources Plc.




