Eleições Brasil 2026: Candidaturas indígenas atingem máximo histórico

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Redação |

As candidaturas indígenas para as eleições de outubro atingiram os 191 registos, consolidando uma tendência de alargamento da participação política institucional. Este marco ganha ainda mais força ao refletir 0,83% da população, distribuída por 391 etnias, povos e grupos originários.

Mais de 155 milhões de eleitores serão chamados às urnas no próximo dia 4 de outubro para decidir os ocupantes da presidência da República, os governos estaduais, dois terços do Senado, a Câmara dos Deputados e os parlamentos regionais.

Neste contexto, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, apresentou a Bancada Indígena 2026. Integrada no projeto “Nosso Território, Nossa Vida”, a Campanha Indígena reúne 56 candidaturas indicadas pelas bases regionais, com o objetivo de fortalecer a presença dos povos originários nos espaços de decisão e levar às urnas uma proposta política nascida dos territórios.

Esta articulação abrange candidaturas de 39 povos indígenas, distribuídas por 19 estados. Do total de 56 nomes, destaca-se a presença feminina com 27 mulheres. A lista integra 33 candidaturas a deputado estadual, 19 a deputado federal, duas ao Senado, uma ao governo estadual e uma à segunda suplência do Senado.

Apesar de marcar um ponto de viragem, o total de candidaturas indígenas representa menos de 1% dos 20.506 pedidos de registo contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Este registo traduz-se num crescimento de 3% face às 186 candidaturas de 2022 e de quase 125% em comparação com as 85 apresentadas em 2014.

Sob o lema “Nosso Território, Nossa Vida”, a Campanha Indígena assenta em três premissas fundamentais: afirma a demarcação e a proteção integral das Terras Indígenas como pilares da soberania nacional; defende a participação efetiva dos povos originários nos espaços de decisão pública; e reconhece a salvaguarda territorial como uma solução incontornável para o enfrentamento da crise climática.

Um levantamento conduzido pelo antropólogo e investigador Luís Roberto de Paula estima que pelo menos 448 indígenas foram eleitos entre 1976 e 2012.

Os marcos pioneiros remontam a 1969, quando Manoel dos Santos, conhecido como Seu Coco (povo Karipuna), foi eleito vereador em Oiapoque, no Amapá. Em plena ditadura militar, o cacique Ângelo Kretã (povo Kaingang) conquistou um assento na câmara municipal de Mangueirinha, no Paraná.

O ano de 1982 marcou a eleição de Mário Juruna (povo Xavante) como o primeiro deputado federal indígena. Iracy Cassiano (povo Potiguara), foi eleita prefeita de Baía da Traição (Paraíba) em 1990, e João Neves (povo Galibi-Marworno), chegou à prefeitura de Oiapoque em 1996.

A viragem consolidou-se em 2018: Joenia Wapichana tornou-se a primeira mulher indígena eleita deputada federal, e Sonia Guajajara integrou uma lista presidencial.

O avanço refletiu-se em 2020, quando 2.212 indígenas concorreram em eleições municipais — um aumento de 27% face a 2016 —, resultando na eleição de 236 representantes de 71 povos. Já em 2022, a Campanha Indígena estruturou a Bancada Indígena com 30 nomes, mobilizando cerca de 500 mil votos e elegendo Sonia Guajajara (São Paulo) e Célia Xakriabá (Minas Gerais) para a Câmara Federal. Naquele mesmo ano, 186 candidaturas indígenas disputaram as eleições gerais, superando as 85 registadas em 2014.


Fotografia: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

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