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Fundada em outubro de 2020 pela surfista portuguesa Francisca Sequeira, a SOMA – Surfistas Orgulhosas na Mulher d’África – nasceu com a missão de combater a exclusão social das mulheres e a desigualdade de género através do desporto.
Esta iniciativa contraria a realidade de que 48% das raparigas1 não sabem nadar e têm medo do mar. São Tomé e Príncipe – o segundo menor país de África – embora rodeada pelo mar, apresenta uma relação de afastamento com o oceano devido a barreiras sociais, refletindo-se no facto de quase metade das jovens desconhecer a natação.
O projeto atua num contexto de forte misoginia, onde o país ocupa a 130.ª posição no Índice de Desigualdade de Género da ONU e o casamento infantil atinge 28% das jovens.
Além disso, recai uma pesada carga de tarefas domésticas sobre a maioria das mulheres, numa sociedade marcada por disparidades profundas. Os dados estatísticos ajudam a desenhar este panorama de vulnerabilidade: 18,1% das mulheres com 15 anos ou mais sofreram violência física e/ou sexual nos 12 meses anteriores, de acordo com o UN Women Data Hub de 2018. Apenas 14,6% dos assentos no parlamento eram ocupados por mulheres, segundo a mesma fonte.
No campo educacional, apenas 31,5% das mulheres com 25 anos ou mais possuem o ensino secundário, em comparação com 45,8% dos homens. Globalmente, o país ocupa a 130.ª posição entre 191 países no índice de desigualdade de género das Nações Unidas, no período de 2023 a 2024, e o casamento infantil afeta cerca de 28% das jovens, conforme dados do UN Women Data Hub.
A SOMA revolucionou São Tomé e Príncipe ao levar as primeiras moças às pranchas e organizar as primeiras etapas femininas nos campeonatos nacionais, contando com o apoio de surfistas como Joana Andrade e Mariana Rocha Assis. Além do desporto, a organização expandiu-se com o SOMA Club, salas de estudo, limpezas de praias, formação de treinadoras e workshops para envolver os rapazes na mudança social.
O programa extracurricular anual destina-se a meninas e mulheres dos 6 aos 18 anos, combinando aulas de surf e Stand Up Paddle – remo em pé – com apoio escolar, oficinas de psicoeducação e capacitação para a autonomia. Desta forma, o projeto visa dotar estas crianças e jovens de autoconfiança, literacia emocional e ferramentas essenciais para que consigam reescrever o seu próprio futuro.
- Para o leitor brasileiro: em português europeu e africano rapariga é uma palavra de uso comum com o significado de moça ↩︎





