O futebol, depois da copa das bets, vem flertando com setores e empresas que acendem as polêmicas entre torcedores e até com o Ministério Público.
É o que vem acontecendo com o recente contrato do Sport Club Corinthians Paulista, fundado em 1910, com a empresa Fatal Fans, uma plataforma brasileira de monetização de conteúdo adulto por assinatura, desenvolvida pela software house Atlas Technologies, e que pertence ao mesmo grupo empresarial que mantém o site de anúncios de acompanhantes, o Fatal Model.
O contrato prevê investimento recorde de R$ 22 milhões (cerca de 3.770.000€) até dezembro de 2027 para estampar a marca no calção do time masculino e espaços nos uniformes de basquete e futsal.
Se por um lado o patrocínio vai aliviar o caixa do clube, que está afundado em dívidas que somam R$ 2,7 bilhões (463.549.500€, aproximadamente); por outro, parte da torcida, associações dedicadas à defesa dos direitos da infância e do adolescente, políticos e vários abaixo-assinados com milhares de assinaturas acionaram os poderes públicos para cancelar o acordo e pediram leis mais rígidas para restringir a veiculação de marcas adultas em eventos esportivos e a associação de times de futebol à pornografia e à prostituição.
O Timão
O Sport Club Corinthians, conhecido no Brasil como Timão, foi fundado em 1910 e, desde então, se consolidou como uma equipe de futebol ligada ao povo, que arrasta grande quantidade de torcedores por onde passa.
A torcida é conhecida como Fiel, em razão da agremiação (torcida organizada) Gaviões da Fiel, criada em 1969 e que hoje conta com mais de 140 mil associados.
Essa enorme torcida fiel abriga torcedores como o Presidente Luíz Inácio Lula da Silva, a cantora Rita Lee, Ayrton Senna, Rubens Barrichello, a jogadora de basquete Hortência e tantas outras celebridades brasileiras.
No Ranking Nacional de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol, para 2026, o Corinthians ocupa a segunda posição. Ocupa a mesma posição na pesquisa pela TM20 Branding e pela Brazil Panels, divulgada no evento Sport & Business Summit 2025, com quase 20% de torcedores do Brasil
As cláusulas do contrato
Apesar de todo o barulho gerado após a divulgação do acordo, o contrato está em vigor, a marca está estampada no calção dos jogadores e a empresa até quitou um transfer ban junto à Fifa, no valor de 225 mil dólares.
O contrato proíbe a exibição da marca nas categorias de base e o uso da imagem de atletas do clube nas publicidades associadas a conteúdo adulto.
No futebol feminino, a plataforma foi substituída pela “Respeita as Minas”, acompanhada do apoio a um portal voltado à orientação e proteção de mulheres vítimas de violência.
E o futebol feminino foi o argumento usado na polêmica para acusar a diretoria e a plataforma de social washing, aquela prática de utilizar causas sociais para mitigar desgastes de imagem.
O argumento da diretoria de que “Escolhemos o feminino porque o valor do respeito une as marcas, entendendo que o respeito deve ser igual para quem joga futebol ou produz conteúdo”, não convenceu os detratores do acordo.
O professor de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie e promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, em declaração para o portal de notícias jurídicas JOTA, declarou que “embora as atividades empresariais das marcas não sejam ilegais, o entorno da prostituição e da pornografia é permeado por atividades criminosas, como violência e exploração sexual. E o controle dessas atividades não é eficiente no Brasil”.
E a guerra de narrativas e justificativas continua nas redes sociais e deve chegar às instâncias judiciais. Até lá, é o torcedor decide se o dinheiro “respeita as minas”.





