Programa selecionará uma pessoa residente no Brasil e outra na Guiana Francesa para desenvolver projetos de pesquisa ou criação artística na Cité internationale de la langue française
Artistas e pesquisadores que desenvolvam trabalhos relacionados às línguas e aos conhecimentos indígenas têm até 30 de setembro para se candidatar a uma residência de um mês na França.
A iniciativa reúne o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e a Cité internationale de la langue française, instalada em Villers-Cotterêts, a cerca de 80 quilómetros de Paris.
Serão selecionadas duas pessoas: uma residente no Brasil e outra na Guiana Francesa. O programa dará preferência a pesquisadores e artistas indígenas, especialmente àqueles ligados à região de fronteira entre os dois territórios. Também serão aceitas candidaturas em dupla, formada por uma pessoa de cada lado da fronteira, desde que apresentem um projeto conjunto relacionado às questões linguísticas e culturais da região.
A residência será realizada entre 15 de março e 11 de abril de 2027 na Cité internationale de la langue française. Os selecionados terão a hospedagem custeada pelo programa, receberão uma bolsa para despesas de transporte e alimentação e contarão com espaço de trabalho e acesso às exposições do museu francês. Durante o período, também poderão propor encontros e atividades abertas ao público.
O projeto coloca no centro uma realidade que muitas vezes permanece encoberta pela ideia de países associados a uma única língua.
No Brasil, além do português, são faladas cerca de 180 línguas indígenas. A Guiana Francesa também abriga um cenário multilíngue, particularmente evidente na região do rio Oiapoque, onde fronteiras políticas convivem há séculos com povos, línguas e culturas que não obedecem necessariamente às linhas traçadas nos mapas.
A residência nasceu justamente do interesse das duas instituições em tratar as línguas como espaços de criação, transmissão de conhecimento e participação social. O programa está ligado ao Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas, iniciativa do Museu da Língua Portuguesa e do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, com financiamento da FAPESP.
Para concorrer, é necessário apresentar currículo e, quando houver, portfólio, carta de motivação e um projeto a ser desenvolvido durante a residência. Cartas de recomendação de instituições culturais atuantes na região entre o Brasil e a Guiana Francesa receberão atenção especial na avaliação. Os documentos podem ser apresentados em português ou francês.
O conhecimento básico de francês é necessário para a experiência cotidiana durante a residência, mas não constitui uma barreira definitiva: caso a pessoa selecionada não domine o idioma, será oferecido gratuitamente um curso intensivo online financiado pela Embaixada da França.
As candidaturas permanecem abertas até 30 de setembro de 2026. O resultado está previsto para 19 de outubro.





