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O mês passado foi o junho mais quente já registado na Europa Ocidental e o segundo mais quente a nível global. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, registou-se uma temperatura média de 20,74°C – mais de 3°C acima da média dos últimos trinta anos – ultrapassando o recorde de 2025.
Na Galiza, este foi o segundo junho mais quente desde 1961. A temperatura média na comunidade atingiu os 20,4 °C (+2,6 °C acima do habitual), com os termómetros a superarem os 40 °C em vários pontos de Ourense, do sul de Ponte Vedra e de Lugo. Destacou-se o concelho de Vilamartim de Valdeorras com 39,5 °C.
Em Portugal, o mês foi classificado como muito quente e muito seco, tornando-se o 4.º junho mais quente desde 1931. A anomalia da temperatura média fixou-se em +2,06 °C, impulsionada por uma grande onda de calor entre 9 e 24 de junho. Enquanto a faixa costeira registou valores de 22 °C a 30 °C, o interior oscilou entre os 38 °C e os 42 °C, atingindo o extremo máximo de 42,7 °C no Pinhão. Territórios nortenhos como Vinhais, Bragança e Montalegre bateram mesmo os seus recordes históricos de temperatura mínima mais alta para o mês.
No que toca à precipitação, o panorama dividiu-se entre a seca e a instabilidade local. No território português registou um acentuado défice crónico de chuva, acumulando apenas 6,9 mm (30% do valor normal). Já na Galiza, a escassez de chuva frontal e o calor extremo geraram forte instabilidade na segunda quinzena, resultando em trovoadas locais. Estas causaram inundações e transbordamentos, sobretudo no sul de Lugo e zonas montanhosas e orientais de Ourense.
O fenómeno, registado na Europa Ocidental, foi impulsionado pelo aquecimento oceânico global. Fora das regiões polares, as águas registaram a temperatura média superficial mais alta da história para o mês de junho. Este aquecimento acelera a consolidação de condições do fenômeno El Niño no Pacífico equatorial, o que tende a desregular ainda mais o regime de chuvas e temperaturas em escala global nos próximos meses.
Além do calor extremo, a seca severa tem agravado os incêndios florestais além de impulsionar a mortalidade entre idosos, embora crianças, gestantes, trabalhadores ao ar livre, sem-teto e doentes crónicos façam também parte dos grupos de maior risco.
O cenário atual reflete os alertas da ciência. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas da ONU, a projeção para o futuro próximo é de que períodos prolongados de calor extremo ocorram com frequência, intensidade e duração cada vez maiores em todo o planeta.
Refúgios climáticos urbanos, um conceito em desenvolvimento:
Turismo de portugal lançou este mês de junho o Programa Refúgios Climáticos | Stay Cool, que visa criar uma rede nacional de espaços acessíveis, seguros e termicamente confortáveis para apoiar residentes e visitantes durante períodos de calor extremo.
Já a Câmara de Lisboa disponibiliza uma página web oficial com medidas de autoproteção face as ondas de calor, indicando os diferentes parques da cidade como refúgios e um mapa de bebedouros1 que permite identificar pontos de acesso a água potável em espaço público.
Na Galiza, apenas a cidade de Ourense avançou com a declaração oficial do primeiro refúgio climático galego. A iniciativa, desenvolvida pelo governo galego, realizará um investimento público por valor superior aos 300.000 euros intervindo numa das artérias da cidade com intenção de arborizá-la.
Quanto à capital, Compostela não conta ainda com nenhuma declaração oficial de refúgios ou recomendações mas facilita uma web em que são identificados todos os espaços verdes da cidade2





