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A única árvore sobrevivente em estado selvagem da espécie Dendroseris neriifolia, endémica da Ilha Robinson Crusoe – no Chile – encontrou uma nova esperança de preservação. Especialistas do Banco de Sementes do Milénio (MSB), conseguiram a germinação com sucesso de oito sementes.
As oito plântulas abrem uma nova via para a preservação desta espécie em risco extremo de extinção, informou o portal de notícias. Três das oito plantas que conseguiram germinar os especialistas no jardim botânico Kew Wakehurst – localizado em Sussex, no sul de Inglaterra – serão transferidas para o Jardim Botânico Logan, na Escócia, onde continuarão o seu desenvolvimento em condições controladas.
A análise de raio-X realizada às sementes chegadas ao MSB revelou que 25 das 29 sementes recebidas são potencialmente viáveis. Para maximizar as hipóteses de sobrevivência a longo prazo, o lote foi dividido entre esforços de conservação ativa e de propagação.
A última Dendroseris neriifolia selvagem de que há registo resiste isolada numa falésia íngreme. A árvore está tão fragilizada pela erosão e pelas tempestades que os guardas florestais da Corporação Nacional Florestal do Chile tiveram de a segurar com cordas para evitar que caia. Embora, historicamente abundante nos barrancos da ilha, a população colapsou devido à introdução de animais herbívoros, incêndios e à proliferação de plantas invasoras.
Perante o risco de desaparecimento, a comunidade científica virou-se para a conservação fora do habitat natural. Esta intervenção representa a última oportunidade para a sobrevivência da espécie, com os investigadores focados em fazer as plantas crescer até à maturidade para garantir a sua conservação.
Em 1980, a população já estava reduzida a apenas oito indivíduos em estado selvagem. Identificada como prioridade máxima de conservação durante a década de 1990, a planta motivou uma intensificação nos esforços de recuperação.
Apesar das tentativas de reintrodução no início dos anos 2000, o colapso das medidas de proteção em 2017, culminou no cenário atual de um único exemplar na natureza. Paralelamente, a coleção que havia sido estabelecida no Jardim Botânico Nacional do Chile acabou por fracassar devido às condições climáticas adversas. Atualmente, a esperança de conservação reside num espécime jovem que se desenvolve nos jardins botânicos VerdeNativo, uma instituição privada chilena, localizada na região de Valparaíso .
O processo de recuperação enfrenta entraves biológicos complexos, uma vez que muitas sementes produzidas são inviáveis devido ao isolamento geográfico crónico. Adicionalmente, os indivíduos mantidos em jardins botânicos sofrem frequentemente com o problema da hibridização, o que invalida a utilização das suas sementes para programas de conservação pura.
O desaparecimento espécie representaria um golpe que vai além da perda da flora. As flores da Dendroseris neriifolia são uma fonte vital de alimento para o beija-flor-de-juan-fernández (Sephanoides fernandensis), um colibri endémico da ilha que também se encontra catalogado como “criticamente em perigo”.
A extinção desta árvore quebraria uma cadeia de polinização e coevolução, acelerando a perda de biodiversidade na Ilha Robinson Crusoe. Esta rutura ecológica foi documentada pela organização Ladera Sur, com base nos registos de campo do investigador Gonzalo Rojas e nas reconstituições biológicas do ilustrador Rolando Recabarren.
Embora a Dendroseris neriifolia exiba o porte de uma árvore e produza um látex leitoso característico, ela pertence à família das Asteráceas, a mesma família do dente-de-leão, do girassol e da alface comum. Estudos de filogenia molecular liderados pelos botânicos Seung-Chul Kim e José María Mejías, apontam esta espécie como um exemplo perfeito de “madeirabilidade insular”. Trata-se de um fenómeno no qual plantas herbáceas chegam a ilhas e, ao longo de milhões de anos, evoluem para preencher nichos ecológicos, aumentando de tamanho até se transformarem em árvores, conforme atestam os registos taxonómicos globais da plataforma Plants of the World Online.
Fotografia: https://phys.org





