Nove cidades galegas e portuguesas saíram à rua. Arraial Lisboa Pride 2026 foi cancelado este ano por desacordos com a Câmara. Fora dos núcleos urbanos, projetos rurais comunitários e marchas locais consolidam a força do Orgulho .
Redação |
Nove cidades galegas e portuguesas acolheram manifestações e marchas de rua por ocasião do Dia Internacional do Orgulho LGBT, em afirmação e celebração da diversidade e de exigência pelo avanço dos direitos civis.
As mobilizações estenderam-se a Compostela, Corunha, Ferrol, Lugo, Ourense, Ponte Vedra, Porto, Vila Nova de Famalicão e Vigo. Apesar das particularidades locais e dos diferentes contextos organizativos, dezenas de milhares de manifestantes defenderam as conquistas sociais alcançadas e denunciaram os discursos de ódio.
No Porto, a Marcha do Orgulho regressou às ruas com um apelo à memória, à resistência e à construção de um futuro mais justo, vinte anos após o assassinato de Gisberta. A convocatória, feita pela Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho do Porto (COMOP), decorreu sob o lema “Por Gisberta, por um Abril que ainda não aconteceu”.
A associação Avante LGTB+, com presença nas sete cidades galegas, fez um apelo à participação sob o lema “Contra o ódio e a cisheteronorma: orgulho combativo, transfeminista e galego”. Por sua vez, a iniciativa em Vila Nova de Famalicão foi promovida pelo movimento Humanamente e marchou sob o mote “Visíveis em Luta”.
Em Vigo, a convocatória foi marcada pela ausência da tradicional Festa Diversxs, que este ano não se realizou pela primeira vez desde 2009. A associação Nós Mesmas atribui esta ausência ao aumento de entraves administrativos por parte do Município de Vigo para organizar eventos reivindicativos, bem como à falta de financiamento suficiente devido à ausência de apoio institucional.
Do mesmo modo, o Arraial Lisboa Pride 2026, considerado o maior evento de visibilidade e celebração LGBTQIA+ de Portugal foi cancelado. A associação ILGA Portugal justificou a decisão com a falta de condições nas negociações com a Câmara Municipal de Lisboa, apontando entraves burocráticos, logísticos e financeiros.
O calendário de manifestações e ações de visibilidade regista uma expansão fora dos grandes centros urbanos e das áreas metropolitanas, consolidando a descentralização do ativismo. As mobilizações arrancaram com a Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, no dia 6 de junho, seguindo-se no dia 13 as marchas de Aveiro e das Caldas da Rainha, e a de Faro no dia 20.
A agenda retoma em setembro, destacando-se o Porto Pride, entre os dias 11 e 13, que inclui conferências sobre direitos humanos focadas no ativismo e na proximidade comunitária. O mês continua com a Marcha de Santarém no dia 19, a de Leiria no dia 20, e as mobilizações de Guimarães e do Madeira Pride, no Funchal, ambas agendadas para o dia 26. O ciclo estende-se ainda com a realização Marcha pelos Direitos LGBTI+ de Viseu, marcada para o 10 de outubro.
Se a dinâmica de descentralização do ativismo se tem ampliado cada vez mais a cidades e até vilas com menor número de habitantes, tem-se produzido também uma disseminação impulsionada por propostas com uma matriz marcadamente rural.
Na Galiza, o Festival Agrocuir, impulsionado em 2015 na comarca da Ulhoa, tornou-se uma referência ao combinar cultura, ruralidade, ativismo e celebração. A este festival somam-se iniciativas como a Festa da Diversidade em Moanha, um encontro comunitário que celebra a diversidade no espaço público com música, palestras e foliadas, e o Porco Pride em Porto de Espasante, focado na sensibilização e celebração.
Em Ribadúmia, a associação Gotas dinamiza a Ruada das Gotas, trabalhando a diversidade afetiva, sexual e de género na comarca do Salnés, enquanto em Laça, a Romaria Ponte Farruca reivindica a igualdade no rural do interior de Ourense com música, teatro e cultura popular. O panorama galego inclui ainda o Sete Outeiros, um espaço comunitário na Ribeira Sacra focado nos cuidados e nas ruralidades dissidentes sob uma perspetiva anticolonial, e o coletivo Mestas LGTBIQ+ em Cedeira, que promove a igualdade e a formação social.
Em Portugal, a tendência consolida-se através de espaços eco-queer e santuários ecológicos. Na região Norte desenvolve-se o projeto Kura Alma, vocacionado para o acolhimento comunitário. Já em São Salvador de Aramenha, no Alentejo, localiza-se o The Quinta Project, uma experiência de encontro, aprendizagem e investigação colaborativa no meio rural.
Fotografia: Ponte Farruca, 2025. Redes Sociais





