Redação |
A organização Repórteres Sem Fronteiras emitiu um aviso aos profissionais da comunicação que vão cobrir a Copa do Mundo FIFA 2026. A organização adverte que os repórteres devem adotar protocolos semelhantes aos utilizados em zonas de conflito ou cenários de elevada sensibilidade.
O alerta da Repórteres Sem Fronteiras surge num momento em que os EUA registam a sua pior posição histórica no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa. Por sua parte, o México consolida-se como um dos territórios mais perigosos do planeta. Embora o Canadá apresente indicadores mais favoráveis, a RSF recorda que a cobertura de protestos locais e de temas sociais complexos também não está isenta de riscos.
A RSF insta também os jornalistas a prepararam-se para enfrentar riscos de segurança antes mesmo de saírem do aeroporto. As autoridades fronteiriças dos EUA detêm total poder para reter viajantes, realizar interrogatórios ou recusar a entrada, independentemente de vistos ou autorizações válidas. O escrutínio é frequentemente intensificado para repórteres que cobrem temas como política, migração e protestos. Por isso, é fundamental que os profissionais conheçam os seus direitos, informem previamente as redações sobre os planos de viagem e estabeleçam protocolos de emergência para casos de detenção ou interrogatório.
Quanto à segurança digital, a RSF também informa sobre a necessária alerta. Na fronteira dos EUA, as autoridades têm legitimidade para inspecionar telemóveis e computadores, analisando mensagens e redes sociais. A RSF recomenda apagar dados sensíveis, encerrar sessões em contas desnecessárias e desativar a autenticação biométrica. Os jornalistas devem ainda rever o seu rasto digital público, dado que as triagens prévias influenciam os interrogatórios de entrada.
No esclarecimento enviado aos profissionais, também se adverte que o torneio decorrerá sob forte vigilância urbana, recorrendo a drones, reconhecimento facial e rastreio telefónico. Perante a previsão de uma maior atividade da ICE nos EUA, os repórteres devem portar sempre os seus documentos de identidade e garantir o visto adequado para a cobertura.
As orientações concluem indicando que a preparação dos jornalistas exige partilhar itinerários com as redações, garantir apoio jurídico, manter cópias de segurança encriptadas e criar planos de contingência para detenções ou confisco de equipamento. A Repórteres insta ainda à denúncia imediata de qualquer violação à liberdade de imprensa, incluindo obstrução, intimidação, vigilância ou uso excessivo da força pelas autoridades.

