Fraga a dar a mão ao ditador Franco vestido com honrarias militares

Exigem retirada do título de “Filho Adotivo” a Manuel Fraga

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Ato de apresentação pública do manifesto “Não queremos Manuel Fraga como filho adotivo” terá lugar no 30 de janeiro na Corunha. Vitimas do franquismo recordaram que outras localidades galegas já deram passos concretos na eliminação de honrarias ligadas a quem foi ministro durante a ditadura

Redação |

O coletivo de Vítimas do Franquismo da Corunha instou o governo municipal a agilizar o processo para revogar a distinção honorária concedida a Manuel Fraga durante a ditadura.

Manuel Monge, porta-voz da plataforma, sublinhou a urgência de concluir um processo que se arrasta há anos, lembrando que o plenário municipal já tinha aprovado o início do expediente para a retirada da distinção em maio de 2019.

A associação de Vítimas defende que nenhuma figura que tenha exercido cargos políticos durante a ditadura fascista deve manter honras públicas. Manuel Fraga foi nomeado filho adotivo da Corunha em 1968, numa época em que servia como ministro participando ativamente na estrutura repressiva do regime. A plataforma exige também que a Deputação Provincial da Corunha e o concelho de Betanços tomem medidas semelhantes. Em Betanços, Fraga mantém a medalha de prata e dá nome a uma avenida desde 1966.

A organização recordou que outras localidades galegas, como Ferrol, Cedeira, Cambados e Carinho, já deram passos concretos na eliminação de honrarias ligadas ao ex-presidente do Governo Galego pela sua etapa ministerial no franquismo.

O ato de apresentação pública do manifesto “Não queremos Manuel Fraga como filho adotivo” terá lugar no 30 de janeiro, no Circo de Artesãos da Corunha. O evento pretende reunir o apoio de historiadores, entidades culturais e cidadãos para pressionar as instituições a romperem definitivamente com a simbologia franquista.

Manuel Fraga participou como ministro em 1963, no conselho que ratificou a sentença de morte do dirigente comunista Julián Grimau. No caso do estudante Enrique Ruano – morto sob custódia policial em 1969 – Fraga foi acusado de ordenar a publicação de documentos manipulados para apresentar a morte como suicídio. Já na Transição, foi responsabilizado pela atuação policial que resultou na morte de cinco trabalhadores durante uma greve em Vitoria-Gasteiz em 1976.

Por sua parte, usando a Lei de Imprensa de 1966, o ministro Fraga Iribarne introduziu mecanismos de controlo mais eficazes que promoviam a autocensura e o depósito prévio assim como sanções administrativas, criando uma aparência de maior liberdade ao supostamente ter eliminado a censura prévia explícita, mas mantendo o controlo do regime sobre a informação no estado espanhol. Ainda, como ministro teria proibido a utilização pública da língua da Galiza e a divulgação de personalidades e instituições incontornáveis da sociedade galega, caso do presidente Castelao e do Conselho da Galiza no exílio.

Após a transição espanhola, Manuel Fraga foi um dos fundadores do atual Partido Popular chegando a presidir o Governo galego desde 1990 até 2005.

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