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O cinema em Portugal recuou em 2025. Dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) revelam que o número de espectadores baixou para 10,9 milhões (menos 8,2% que no ano anterior), enquanto a faturação das bilheteiras fixou-se nos 70,5 milhões de euros, uma contração de 3,9% em comparação com os resultados de 2024.
No segmento da exibição, a NOS Lusomundo Cinemas consolidou a sua liderança de mercado com uma quota de 68,5% das receitas brutas. O pódio completa-se com a UCI (12,0%), a NLC–Cinema City (5,6%) e a Cineplace (4,8%). Juntos, estes quatro operadores dominam 90,9% do panorama cinematográfico nacional.
Das 406 longas-metragens estreadas em 2025, o cinema europeu (200 filmes) e o norte-americano (113 filmes) foram os principais protagonistas. Apesar da maior oferta europeia, o público concentrou-se maioritariamente nos títulos dos EUA, que garantiram 66,3% da assistência total, contra os 12,9% obtidos pelas obras europeias.
O grande destaque de 2025 foi a adaptação de Lilo & Stitch, realizada por Dean Fleischer Camp, que liderou o ranking anual com mais de 660 mil espectadores e uma receita superior a 4 milhões de euros. No panorama do cinema português, a preferência do público recaiu sobre O Pátio da Saudade, de Leonel Vieira, que se sagrou o filme nacional mais visto do ano ao ultrapassar a marca dos 69 mil espectadores.
No segmento da distribuição cinematográfica, a NOS Lusomundo Audiovisuais manteve a liderança com 45,4% da quota de espectadores. A Cinemundo ocupou a segunda posição com 35,0%, o que significa que, em conjunto, estas duas distribuidoras concentraram 80,4% do mercado nacional.
O apoio financeiro do ICA resultou na produção de 93 novas obras, um volume ligeiramente inferior (-3%) ao registado em 2024. Entre os projetos concluídos, destacam-se 46 longas-metragens e 47 curtas-metragens, mantendo-se a ficção como o género predominante em ambos os formatos, seguida pelo documentário e, no caso das curtas, pela animação.
A cinematografia portuguesa destacou-se em 2025 no Festival de Cinema de Berlim, com o documentário A memória das mariposas, realizado por Tatiana Fuentes Sadowski, que recebeu o Prémio da Crítica Internacional e uma menção especial do júri de documentários. Por sua parte, no Festival de Cannes, a secção Un certain regard premiou a prestação de Cléo Diára como melhor atriz em O riso e a faca (de Pedro Pinho) e a direção de Tarzan e Arab Nasser em Era uma vez em Gaza como Melhor Realização.

