Redação |
A República Democrática de Timor-Leste alcançou no passado sábado um marco histórico na sua jovem história como nação independente, ao tornar-se oficialmente o 11.º Estado-Membro da Associação das Nações do Sudeste Asiático – ASEAN, durante a 47.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da ASEAN, que decorreu em Kuala Lumpur, na Malásia.
O momento representou o culminar de 14 anos, desde que o país apresentou o seu pedido formal de adesão e marca a primeira expansão da organização desde a década de 1990. A entrada de Timor-Leste na ASEAN é vista como um passo crucial para a sua integração regional, oferecendo acesso a acordos de comércio livre, oportunidades de investimento e um mercado regional mais vasto.
Durante a cimeira, o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, expressou o entusiasmo do país, afirmando que a adesão “traz imensas oportunidades no comércio, investimento, educação e economia digital“. “Estamos prontos para aprender, inovar e defender a boa governação“, acrescentou.
Em novembro de 2022, a ASEAN concedeu-lhe a Timor-Leste o estatuto de observador em reuniões de alto nível e o país tem trabalhado arduamente para cumprir os requisitos de adesão, incluindo a deposição dos seus instrumentos de adesão à Carta da ASEAN e a adesão ao Tratado sobre a Zona Livre de Armas Nucleares do Sudeste Asiático (SEANWFZ).
A ASEAN, que agora inclui Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietname e Timor-Leste, fortalece o seu princípio de centralidade e inclusão regional com a integração Timor-Leste, localizado estrategicamente entre a Indonésia e a Austrália.
A comunidade internacional e os analistas regionais veem a adesão como um impulso à estabilidade regional e à influência da ASEAN no cenário geopolítico global em evolução.
Em comunicado de imprensa, o governo timorense declarou que “a admissão de Timor-Leste confirma o compromisso da nação com a paz, a prosperidade e a unidade na região do Sudeste Asiático.” e o o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão declarou que a adesão “constitui a materialização de uma visão de longa data da nação de estar lado a lado com os nossos vizinhos regionais, como iguais, na construção de um Sudeste Asiático mais forte, mais inclusivo e mais resiliente.”
Por sua parte o Presidente da República, e Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, declarou que “Hoje, realizámos um sonho que começou há quase meio século, uma visão de pertença regional que antecede a nossa própria independência. Recordo-me de discutir esta mesma ideia quando era um jovem de 25 anos. Quando apresentámos formalmente a nossa candidatura em 2011, o caminho ainda não estava claro e exigiu uma grande perseverança.”

