cartaz da convocatória

Segunda Grande Marxa Cabral em Portugal

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Redação |

Sob o mote “Di povu pa povu: libertação, dignidade, soberania popular”, cerca de meio milhar de pessoas desfilaram no sábado 13 de setembro na Avenida da Liberdade, em Lisboa. A marcha foi convocada na sequência das celebrações do nascimento de Amílcar Cabral, pensador e combatente da tradição radical panafricana.

A segunda Marxa Cabral celebrou também o cinquentenário das independências de Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Proclamada unilateralmente pela Guiné-Bissau, em 1973, essas independências fizeram parte de uma vaga mais ampla de libertação panafricana, que culminou no início do desmoronamento dos impérios coloniais e na afirmação coletiva destas nações africanas. 

O texto da Segunda Declaração Panafricanista de Lisboa – Cabral Sempre! saúda os povos da Aliança do Sahel: Burkina Faso, Mali e Níger, pela coragem em defender a sua dignidade e soberania diante da política imperialista da França e afirma a solidariedade com os povos resistentes do mundo, nomeadamente do Congo, Sudão, Saara Ocidental e Palestina, da Guiné-Bissau e Angola e da Líbia, destruída pela aliança imperialista.

A Declaração também denuncia o genocídio contra o povo palestiniano, praticado pelo Estado colonialista e sionista de Israel, com o apoio da União Europeia, os Estados Unidos e o silêncio de grande parte dos governos dos chamados “países árabes” e dos Estados africanos.

O texto renova os compromissos de setembro de 2024 contras as guerras, a brutalidade policial, a injustiça, as fomes, o extrativismo ou os acordos comerciais que destroem e pilham ecossistemas e economias africanas. Mas também contra o patriarcado, as ingerências imperialistas, o racismo religioso, pelo trabalho digno, em definitivo, pelo direito de existir, resistir, circular e habitar.

Estas são algumas características que definem as Marxas Cabral, constituída por pessoas de um amplo e diverso movimento negro e panafricanista, que marcha, age e pensa pela sua própria cabeça.

O texto na íntegra da Segunda Declaração Panafricanista de Lisboa – Cabral Sempre! pode ser consultado na buala.org, um portal transdisciplinar e colaborativo que deve o seu nome à palavra de origem quimbundo usada em Angola no sentido de bairro, periferia, valorizando a ideia de comunidade, que se alimenta de um jornalismo e partilha de conhecimento de livre expressão.

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