Lítio: População de Covas do Barroso reativa bloqueio aos trabalhos da Savannah

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Redação |

A população de Covas do Barroso reativou, na madrugada da terça-feira, 27 de outubro, o bloqueio aos trabalhos da empresa Savannah Resources. A ação decorreu numa área de baldio abrangida por uma servidão administrativa que autoriza a atividade da empresa extrativistiva, segundo informou em comunicado a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB).
  
A resistência popular contra o projeto mineiro viveu mais um capítulo nas primeiras horas da manhã, quando cerca de trinta moradores se concentraram nos terrenos de prospeção. Unida no local, a comunidade formou um cordão humano em frente a uma máquina para travar o avanço das operações.

A população já tinha organizado um bloqueio a 9 de outubro, que interrompeu os trabalhos da empresa e resultou na identificação policial de 27 pessoas pela GNR. Em causa estão perfurações essenciais ao desenvolvimento do projeto da Mina do Barroso, empreendimento que enfrenta a resistência das populações locais há oito anos.
   
No mesmo comunicado, Paulo Pires, pastor de Romainho, sublinha que esta luta é também pela defesa do modo de vida da comunidade: “Muito se tem falado ultimamente sobre a questão da habitação. E esta luta também é pela defesa da nossa casa, que é a nossa aldeia. Ninguém quer viver a duzentos metros de uma mina a céu aberto. É uma luta pelo direito a vivermos com saúde, sossego e boa vizinhança, num momento em que o Governo quer entregar de bandeja a nossa aldeia a uma empresa privada.”

Paulo Pires acrescentou ainda que “Todos nós podíamos ter emigrado. Mas escolhemos ficar aqui. Porque achamos que isto é uma vida boa. E trabalhámos a vida toda para termos os terrenos e o gado que temos. E agora é o nosso próprio Governo que nos quer tirar isso à força. Não aceitamos”.
  
O presidente da UDCB, Nélson Gomes, justificou a nova ação de protesto com o sentimento de abandono vivida pela comunidade e com a falta de resposta das instituições perante o avanço no terreno das operações dos extrativistas: “Fazemos este bloqueio porque nos sentimos completamente abandonados. Não há uma instituição que nos represente. E não podendo também contar com um Governo que defenda a sua própria população, vemo-nos obrigados a bloquear nós mesmos os trabalhos da empresa. E vamos continuar estes bloqueios enquanto for preciso. Para nós a mensagem aqui é clara: esta comunidade está disposta a tudo para travar este projeto. Quem tem de decidir o futuro da aldeia somos nós. E não é não”.
  
Por sua vez, a presidente da Junta de Freguesia de Covas do Barroso, Rita Mó, destacou no mesmo comunicado que o bloqueio traduz igualmente um protesto contra as diretrizes e a política comunitária do governo de Bruxelas: “Temos de recorrer a este bloqueio porque esgotámos todas as outras opções. De cima só vêm ordens, e nenhuma abertura para escutar a população. Temos por exemplo uma União Europeia que se vangloria constantemente de representar o continente dos direitos. Para quem? Onde se vê essa Europa dos direitos, quando as suas populações rurais são assim tratadas como descartáveis? Quando somos ameaçadas de uma expropriação em massa dos nossos terrenos?

A presidente da Junta de Freguesia, acrescentou ainda, na mesma nota emitida pela associação que “É a própria Comissão Europeia que promove um projeto de mineração que não só é um atentado ambiental, como vai contra a expressa vontade das populações locais. É preciso lembrar que, à boleia deste projeto, esta comunidade vive com câmaras de vigilância e segurança privada instaladas na aldeia. É um abuso”.


Imagem: Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso. Redes Sociais

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