Chega às bancas um livro que aprofunda na íntima ligação de José Afonso à Galiza e os seus laços de amizade, solidariedade e resistência que o uniram biográfica, artística e politicamente aos músicos galegos. Hoje, a sua música e o seu pensamento continuam a se revelar intensamente a norte do Minho. Esta obra propõe a afirmação do seu legado como um território vivo de fraternidade, emancipação e esperança. Conversamos com o seu autor, Paulo Esperança.

Por que razão decidiu trabalhar sobre a obra de José Afonso e, em particular, sobre a sua relação com a Galiza?
Vou tentar resumir. Tenho uma ligação à Galiza há mais de 50 anos e tenho amigos nas quatro províncias galegas, nomeadamente músicos. Durante 15 anos fui membro da Direção Nacional da Associação José Afonso e, durante nove anos, fui vice-presidente da direção. Entretanto, afastei-me, não por qualquer divergência, mas porque entendi que a Associação José Afonso não podia ser a Coreia do Norte: era preciso introduzir sangue novo. Continuo, no entanto, a trabalhar, nomeadamente no seu Núcleo do Norte.
Através das minhas ligações à Galiza e dos meus amigos, foi-se criando uma amizade muito forte que, por exemplo, me levou a ser um dos impulsionadores da formação do Núcleo da Associação José Afonso na Galiza.
Há três anos escrevi um livro chamado Triângulo Mágico na Vida e Obra de José Afonso, no qual abordava um pouco a Galiza. Mas tinha muita mais informação e contei com a ajuda de vários amigos, nomeadamente de um velho amigo que costumo chamar «irmão do coração», o Chico de Carinho.
Perante toda essa informação, entendi que devia escrever uma obra exclusivamente centrada na Galiza: José Afonso na Galiza e a Galiza em José Afonso.
O que descobrimos através deste livro que talvez não soubéssemos sobre essa relação?
Penso que os galegos, relativamente bem informados, conhecem grande parte do que está escrito no livro. Mas é um livro escrito em português e, portanto, para os portugueses há muitas coisas que eram desconhecidas.
Por exemplo, não conheciam a questão linguística nem o que era o reintegracionismo. Também não sabiam que a década de 1970, mesmo depois da morte de Franco, em 1975, foi uma das décadas mais mortíferas no Estado espanhol, com exceção do período da Guerra Civil, entre 1936 e 1939. Houve assassinatos no meio da rua e uma repressão muito forte em vários pontos do Estado espanhol.
Penso que os portugueses conheciam pouco dessa realidade.
Por outro lado, em Portugal só se fala de José Afonso, sobretudo, no período do 25 de Abril e do 1.º de Maio. Na Galiza, nomeadamente nessa época, são várias as cidades e comunidades que celebram a sua obra e o seu exemplo cívico com colóquios, debates, filmes, música, manifestações, etc.
Incluí também no livro uma questão que poderá ser polémica quando este for apresentado na Galiza: a questão de Grândola, Vila Morena. Foi cantada pela primeira vez a 10 de maio de 1972? em Santiago ou em Ourense? Existem diferentes testemunhos e documentos sobre essa questão.
Incluí ainda algo que a maioria dos portugueses, incluindo pessoas ligadas à própria Associação José Afonso, desconhecia: uma série de músicos que cantaram e continuam a cantar, gravaram e continuam a gravar canções de José Afonso. É claro que este mapa está incompleto: eu pedi ajuda a muita gente, jornais galegos… o único jornal que me ajudou com todas as suas forças foi o Nós diário.
Para quem não conhecer bem José Afonso e se estiver a aproximar agora da sua obra, de onde vem esta ligação tão especial entre José Afonso e a Galiza?
José Afonso foi pela primeira vez à Galiza em 1951 ou 1952. A data não está completamente definida. Foi com um grupo de estudantes de Coimbra, mas essa visita não parece ter-lhe merecido uma atenção especial.
A AJA tem um livro, Sonhador de Palavras, com cerca de 150 entrevistas ao José Afonso, nomeadamente feitas por jornais da Galiza. Por exemplo no Seminário “A Nosa Terra”. Há, contudo, abundantes declarações de José Afonso, sobretudo a partir de 1972, quando fez uma digressão por Ourense, Lugo e Compostela. Há declarações, inclusivamente em Portugal, em que José Afonso diz que está farto de explicar que a Galiza não é Espanha, que tem uma língua própria, etc. Cita também escritores portugueses que se referiram a essa questão.
Assim sendo, há uma entrevista ao jornal A Nossa Terra em que afirma: «Nunca me senti tão bem, nunca fui tão bem tratado como na Galiza. A Galiza, para mim, é uma pátria espiritual». Isto tem a ver, acima de tudo, com a forma como José Afonso foi acarinhado na Galiza. Por exemplo, o grupo Voces Ceibes, nomeadamente o Benedito (Garcia Villar, cantor e fundador deste grupo), tiveram um papel muito importante em 1972. Depois, Chico de Carinho, com o Festival dos Povos Ibéricos, na Corunha, também desempenhou um papel muito importante.
Há um episódio no livro que, para mim, representa tudo isto. José Afonso, Júlio Pereira e Vitorino foram dar um concerto a Cangas do Morraço. Estavam apenas seis pessoas a assistir. Esta é uma história contada por Júlio Pereira e que me foi transmitida a mim. Transcrevi-a no livro. Júlio Pereira disse ao Zeca que, com seis pessoas na assistência, não valia a pena fazer o concerto. E ele respondeu: «Não, fazemos o concerto porque isto é gente boa». Fizeram o concerto. Cantaram cerca de uma dúzia de músicas e, depois a meia dúzia de pessoas ter-se levantado e ter aplaudido, José Afonso, sozinho, tocou e cantou mais de meia dúzia de canções.
Isto tem muito a ver com a forma como José Afonso se sentia em relação ao povo galego e à sua língua, nomeadamente num período em que em Portugal ainda existia o fascismo e, no Estado espanhol, o franquismo.
Qual foi a importância da Galiza na formação da consciência política, cultural e humana de José Afonso?
O contato de José Afonso com a Galiza não começa em 1972. O problema é que não existe nenhuma referência escrita ou em entrevistas de José Afonso sobre esse período.
Em 1972, o Benedito foi a Setúbal conhecer José Afonso, porque tinha ouvido o disco Traz Outro Amigo Também e ficou maravilhado. Quis ir conhecê-lo pessoalmente.
José Afonso ficou, como dizemos em português, de pé atrás. Ficou hesitante, porque julgava que talvez fossem estrangeiros enviados pela PIDE, a polícia política portuguesa. Ele era perseguido e já tinha estado preso.
Depois de se conhecerem, percebeu que Benedito não tinha qualquer relação com a PIDE. José Afonso virou-se para ele e perguntou: «E vocês são mesmo galegos, lá de cima? E é assim que se fala lá em cima?» Ou seja, não tinha qualquer noção das passagens anteriores pela Galiza, em 1952 e em 1956-1957.
Essa passagem de 1956-1957 está também documentada no livro através de uma história muito interessante. Maria Xosé Queizán, uma antiga militante galega antifranquista, deixou um testemunho sobre esse concerto.
Estava grávida e contou que, durante a atuação, a filha lhe deu pontapés na barriga. É uma memória de que nunca se esqueceu.
Mas é, de facto, a partir de 1972 que José Afonso começa a adquirir essa consciência. Em relação ao Estado espanhol, o Benedito, militante do Partido Comunista, levou-o às Astúrias, pelo menos três vezes, à Festa da Cultura, onde ficou emocionado ao contactar com os mineiros.
Começa, assim, a adquirir uma consciência muito clara, primeiro sobre o Estado espanhol e depois sobre a língua da Galiza, que, para quem a falar corretamente, é muitíssimo próxima do português.
Como se cruzam a língua, a música e a memória na obra de José Afonso?
É algo que me parece estranho e que ainda hoje não consigo explicar completamente.
José Afonso lidou com a elite da intelectualidade galega. Ele próprio o afirma nas entrevistas. Contatou com músicos, poetas, escritores, etc. Fala, por exemplo, de Xose Manuel Ferrim, Vicente Araguas (um dos fundadores de Vozes Ceibes) etc.
No entanto, acho completamente estranho que, tendo contatado com essa elite intelectual galega durante o franquismo, não tenha musicado nenhum poeta galego.
Isto é: José Afonso tem duas canções de origem galega. Uma é Baileia, de um clérigo do século XIII chamado Airas Nunes. A outra é de origem popular, do cancioneiro da Limia Baixa, Achega-te também, Maruxa. Não tem mais nada.
Em Portugal, pelo contrário, cerca de 30% da sua obra tem origem em poetas musicados. Ou seja, foi buscar poemas a cerca de 30 poetas portugueses e musicou-os.
Mas, a esta questão, acrescento outra: por que razão José Afonso, tendo passado cerca de oito anos em África e tendo lidado com a elite intelectual africana, também não musicou nenhum poeta africano?
José Afonso é, de facto, um mistério…
Um mistério que ainda estamos a tentar resolver… Há episódios concretos da relação de José Afonso com a Galiza que considere especialmente reveladores e que o público deva conhecer?
Há várias situações. O Benedito conta que algumas músicas que o Zeca fez foram compostas durante viagens que realizaram juntos. Por exemplo, O que faz falta foi feita durante uma viagem de carro até Paris. De vez em quando, José Afonso mandava parar, tinha um gravador e registava alguma coisa. Benedicto diz que, quando chegaram a Paris, a música estava feita.
Quanto à questão de Grândola, não pretendo criar nenhuma polémica. Ainda hoje há pessoas vivas que participaram na organização do concerto de 1972. Emílio Pérez Touriño, que foi presidente da Junta de Galicia, tem um depoimento no meu livro. Também João Gutiérrez Ribeiro e a viúva de Benedito deixaram testemunhos.
Eu não questiono esses testemunhos. Eles dizem que a primeira vez que Grândola foi cantada aconteceu a 10 de maio de 1972.
O que é certo é que o livro reproduz o alinhamento do concerto de Ourense de 8 de maio de 1972, baseado no que refere o Arturo Regueira, que mora em Grândola, e que foi um dos organizadores. E, se não me falha a memória, a terceira música desse concerto é Grândola. Há pessoas que escrevem no livro e dão o seu testemunho de que Grândola foi cantada em Ourense a 8 de maio de 1972.
Eu não faço qualquer comentário. Apresento simplesmente os factos.
Também fui jornalista e, portanto, preocupo-me com os factos. Além disso, participei na organização de concertos do Zeca e nós entregávamos aos jornalistas o alinhamento de um concerto. Depois ele subia ao palco e mudava tudo.
Portanto, também é possível que não tenha cantado Grândola em Ourense. O que está no alinhamento é Grândola. E há pessoas que dizem que o ouviram cantá-la.
Depois há outra questão que, para mim, é muito relevante. Miro Casabella (membro de Vozes Ceibes e cantor da Nova Canción Galega), e autor do prólogo deste livro, e tem um testemunho que gravei e que está aqui transcrito. Em 1971, na primavera, houve um concerto em Valência em que participaram Maria del Mar Bonet e várias outras pessoas. José Afonso foi ter com Miro Casabella e disse-lhe que ia cantar uma canção que ainda não tinha música, mas que queria ensaiar porque, no final do ano, iria gravá-la em Paris para o álbum Cantigas do Maio.
Segundo o Miro Casabella, a música que José Afonso cantou foi Grândola.
Ora, se a cantou em 1971, não pode ter sido a primeira vez em 1972.
Mas há mais. José Mário Branco, que construiu esse disco monumental, considerado um dos melhores da música portuguesa, Cantigas do Maio, tem uma aclaração que está reproduzido no livro. É um fac-símile de um livro da Câmara de Grândola.
José Mário Branco conta que Cantigas do Maio começou a ser gravado em novembro de 1971, em Paris, onde estava exilado. Zeca apareceu ao Zé Mário a dizer: «Tenho aqui uma canção que gostava de pôr no disco. Mas tens de fazer os arranjos». E acrescentou que só tinha cantado aquela música uma vez, em Grândola.
Ora, se em 1971 Zeca dizia a José Mário que só tinha cantado aquela música uma vez em Grândola, em 1972 não terá sido a primeira vez.
Mas eu não faço qualquer comentário sobre isto. Apresento os factos.
Miro Casabella também me disse que, depois do concerto em Valência, foram para Barcelona fazer outro concerto, onde Zeca cantou e tocou Grândola. Não coloquei isso no livro. E sabem porquê? Porque não tenho documentos. Se não tenho documentos, não ponho.
Como deve ser lida a dimensão política do livro e de Zeca nessa ligação galaico-portuguesa, 50 anos depois?
A minha preocupação central é que as pessoas compreendam o estado em que se vivia naquela época. Há um capítulo no livro chamado o Estado do Estado, e quero que as pessoas percebam o Estado espanhol; a repressão, o franquismo, o fascismo, os assassinatos, etc.
Dou, por exemplo, relevância a uma coisa muito importante: a 27 de setembro de 1975, quando Franco já tinha morrido, foram assassinados três militantes da FRAP e dois da ETA. Eu próprio participei no Porto numa mobilização política relacionada com esses acontecimentos.
Também me preocupa muito a questão da língua. Ainda hoje ouço pessoas informadas dizerem que Chico de Carinho fala espanhol. Mesmo pessoas bem informadas! … e gente boa, não percebe esta questão.
Por isso acho que o capítulo sobre o galego e o castelhano é muito importante. Gostaria que as pessoas olhassem para essa questão com atenção.
Depois, Zeca vai pegar nisso e dizer, em essência: «Estes galegos não falam espanhol, estes galegos falam galego». Uma língua que, como dizia Rodrigues Lapa1, é muito próxima do português, com alguns contornos diferentes, mas pertencente à mesma matriz linguística.
É isso que eu gostava que ficasse, digamos assim, na retina.
Depois há as passagens de Zeca pela Galiza. Se formos à Corunha, por exemplo, conseguimos identificar vários lugares onde esteve.
O último concerto que Zeca deu na Galiza foi na Corunha, em 1981, com os Fuxan os Ventos a fazerem a primeira parte. Falei com o Miro e ele chegou a fornecer-me uma cópia do bilhete, que também está reproduzida no livro.
Existe uma dimensão ibérica no pensamento de José Afonso ou será mais correto falar de uma dimensão diretamente atlântica e galego-portuguesa?
Eu acho que existe uma dimensão mais ibérica, por aquilo que se conhece.
Em Setúbal funciona a sede nacional da Associação José Afonso e temos um centro de documentação. Sobre o Estado espanhol, temos notícias confirmadas da presença de José Afonso em Valência e nas Astúrias. José Afonso cantou, com toda a certeza, noutros lugares do Estado espanhol, mas provavelmente a imprensa da época pouco se interessava pela sua participação.
Com a Galiza, porém, é diferente. Existe uma atração muito clara de José Afonso pela Galiza que, a meu ver, tem a ver, em primeiro lugar, com a grande influência das Voces Ceibes e, por outro lado, com a língua própria, tão parecida, quase igual, ao português.
Isso levou a um processo de amor à primeira vista entre a Galiza e José Afonso e entre José Afonso e a Galiza.
A dimensão atlântica não me parece tão determinante. Com África, por exemplo, tinha uma relação muito forte, até porque esteve lá cerca de oito anos, mas pouco mais.
O que pensa que a Galiza deve a José Afonso e, inversamente, o que é que José Afonso deixou à cultura galega?
A Galiza não deu nada a José Afonso; a Galiza continua a dar tudo a José Afonso.
Basta ver a pequena recolha de acontecimentos que fiz no livro. Mesmo depois da sua morte, nas celebrações do 25 de Abril, do 1.º de maio ou do aniversário da sua morte, continuam a realizar-se homenagens.
Vou contar um caso concreto. No dia 2 de agosto fizeram-se 98 anos do nascimento de Zeca. O Nós Diario foi o único jornal que vi publicar uma nota sobre isso. Nenhum jornal português fez referência ao aniversário.
Isso já significa muito.
O que o Zeca deu à Galiza está consubstanciado numa série de declarações de amor que fez à Galiza, à língua e ao povo galego. Só não fala de comida porque Zeca não gostava muito de comer e não sabia apreciá-la.
O amor incondicional que dedicou à Galiza está expresso em várias declarações. Nem é preciso comentá-las: basta ver, ao longo do ano, as celebrações que continuam a ser realizadas.
Os jornais galegos publicam referências a ele quando se assinala o 25 de Abril, quando se recorda a sua morte, quando se celebra algum aniversário da sua obra ou quando se recupera algum dos seus discos.
Portanto, há uma coisa que é clara como a água: a Galiza continua hoje a dar a José Afonso muitíssimo mais importância do que Portugal.
Por fim, o que pensaria José Afonso se pudesse ver, 50 anos depois, as praças galegas a celebrarem o 25 de Abril, num momento de novo crescimento da extrema-direita e do fascismo?
Eu conheci o Zeca e acho que, como todos nós, ele faria algumas perguntas.
Penso que ficaria muito preocupado e perguntaria uma coisa do género: «Valeu a pena todo o meu esforço, toda a minha resistência, tudo aquilo que escrevi e cantei?»
É uma das coisas que penso hoje.
Também tenho esperança porque há gente nova, nomeadamente em Portugal, como a Capicua, a Garota Não e outros artistas, que continuam a erguer esse legado.
E há hoje uma realidade que provavelmente na Galiza não é muito conhecida: há fadistas, sobretudo mulheres, a cantarem “Zeca”. Temos, por exemplo, Sara Correia, que tem uma voz extraordinária, ou a Gisela João. No ano passado, por exemplo, a Gisela João esteve no Observatório da Canção de Protesto, em Grândola, e fez uma atuação com músicas apenas do José Afonso. Cantam Zeca, José Mário Branco, Sérgio Godinho…
Mas, resumindo, eu acho que o Zeca, perante esta realidade, ficaria triste.
Estamos perante uma realidade essencialmente histórica ou há relevo que vai continuar nos próximos anos?
Em Portugal temos um problema, relativamente à Galiza. Na Galiza tem os centros sociais, cafés e locais que fazem palestras a falar do Zeca. Em Portugal não existe isto. A AJA se calhar consegue entrar nalgumas coisas, mas nem tanto. É incrível. Apenas o 24 e o 25 de abril se ouvem as músicas do Zeca. A partir do 26, volta a música pimba.
E como explicar o Zeca aos mais novos, quer do lado galego, quer do português?
É mesmo difícil. Uma das coisas que a AJA tem mais interesse é entrar nas escolas. No entanto, o sistema do ensino no país está pior do que na Galiza. Nas escolas só entras se haver um professor interessado. Eu já fiz 20 sessões nas escolas a miúdos de 13 ou 14 anos, a falar da censura. Normalmente há boa receptividade.
Relativamente ao pessoal de entre 20 e 30 anos, não sabem quem foi o José Afonso. Para saber isso tens que perguntar, ouvi-lo, ler algumas coisas. E isto não está a acontecer.
Como estão a correr as apresentações do livro, a norte e sul do Minho?
O livro é editado em Sendim, Miranda do Douro, pelo Centro de Música Tradicional Sons da Terra. A primeira apresentação foi na associação dos jornalistas do Porto. Depois também foi apresentado pelo núcleo de Aveiro. Brevemente vai ser apresentado também na feira do livro do Porto. Já a partir de outubro, a AJA-Galiza está a programar a apresentação em Compostela, Cangas, Salvaterra e Vigo. Logo que esteja pago, o que sobrar vai ser distribuído pelos núcleos da AJA. Não escrevi para obter lucros, mas sim pelo prazer da escrita.
Quanto demorou em escrever o livro, e o que resultou o mais difícil?
Foram 3 anos, e acho que o pior foram uma série de deslocações à Galiza. Houve pouca informação das hemerotecas dos principais jornais galegos, o Faro de Vigo e o La Voz de Galicia. Não obtivemos nada, apesar de realizarmos o registo e falarmos com eles. Da parte do Nós Diário, tudo foi mais fácil.
E qual a resposta das pessoas que já o leram?
Para já, os que já leram são amigos, e nunca vão dizer mal do livro (ri) Também está o facto de a primeira apresentação passar-se no mês de julho, e logo ser agosto, com as pessoas de férias…, mas, sim, tenho recebido alguns correios que falam da relação persistente da Galiza com o José Afonso, ainda hoje. Acho que é um bom repositório, bem documentado, abordando cronologicamente a passagem do Zeca pela Galiza, com testemunhos e tributos das 4 províncias.
Muito amor!
Sim, e isso é o mais importante. Se o Zeca continuasse vivo, continuaria a ter essa relação de amor.
E que acharia o Zeca hoje do DNS?
Ele gostava, com certeza. O que ele não se dava bem era com as entrevistas. Como dizemos em Portugal, era um autêntico “nabo” (ri) Ele sabia muito de música, mas …
- refere-se muito provavelmente às reflexões do autor no livro Estudos Galego – Portugueses, de Manuel Rodrigues Lapa – ISBN: 9789725620984 1979, Sá da Costa Editora ↩︎





