Couto Misto nomeou novos Juízes Honorários e pediu a declaração de ‘lugar histórico’

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Redação |

O Couto Misto nomeou os seus novos Juízes Honorários no primeiro sábado de julho. Nesta edição, as distinções anuais foram atribuídas ao fotógrafo galego Xurxo Lobato, ao linguista e divulgador português Marco Neves, membro do nosso Conselho Editorial, e à Associação de Mulheres Rurais A Raia de Baltar.

Para além das nomeações, a Associação de Amigos do Couto Misto, apresentou uma iniciativa institucional, solicitando à Deputação de Ourense que instasse o Governo Galego a declarar o Couto Misto como ‘lugar histórico’, ao abrigo da Lei do Património Cultural da Galiza.

O evento registou a participação entre outros dos presidentes do parlamento galego e da deputação de Ourense, do delegado na Galiza do Governo de Espanha, do secretário-geral da língua e dos presidentes dos municípios de Calvos de Randim e Baltar.

Em declarações ao jornal local La Región, Marco Neves sublinhou que: [o Couto Misto] “ representa a continuidade entre a Galiza e Portugal e a porosidade da fronteira, que não é uma barreira tão forte como muitas vezes se pensa”.

O Couto Misto situado na raia entre a Límia e o Barroso, abrange uma extensão de cerca de 27 km2. Manteve a sua autonomia na prática durante séculos como um microestado independente dos dois reinos ibéricos, até o tratado de fronteiras luso-espanhol de 1868 que entregou o Couto Misto a Espanha e os povos promíscuos1 a Portugal. Os seus habitantes tinham uma série de privilégios entre os quais: decidir ou não uma das nacionalidades (podendo manter-se apenas “mistos“), não servir nenhum dos exércitos, não pagar impostos, posse de armas ou cultivar livremente o tabaco e vender sem taxas. Durante o franquismo a memória deste espaço foi praticamente apagada e só nas últimas décadas é que se voltou a recuperar uma história local profundamente ligada à cultura raiana. Hoje em dia as aldeias do Couto Misto fazem parte dos municípios de Calvos de Randim e Baltar e o seu antigo “caminho privilegiado” liga esse território com Tourém (ou Turéi como se diz localmente), uma vila de Montalegre.


Fotografia: fronteiraesquecida.eu

  1. Os povos promíscuos foram um conjunto de vilas e aldeias raianas estruturadas com a linha de fronteira situada dentro da aldeia, algumas vezes sendo a rua principal ↩︎
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