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O Presidente galego anunciou que Ferrol vai sediar uma fábrica da SAIC, uma das maiores empresas fabricantes de automóveis da China e potência da indústria global. Com sede em Xangai, a SAIC integra o grupo das quatro grandes construtoras de veículos daquele país, juntamente com a Changan, FAW e Dongfeng.
Em comunicado oficial, o governo galego declarou como Projeto Industrial Estratégico o desenvolvimento inicial do complexo de fabricação de automóveis da empresa chinesa SAIC. Alega que a escolha da Galiza é devida à capacidade industrial, à sólida base manufatureira e à facilidade para uma rápida implantação. Segundo anunciam, a iniciativa prevê a criação de uma instalação industrial no Porto Exterior de Ferrol, que eventualmente poderia vir a gerar 2.000 empregos. Além disso, impulsionaria a instalação de fornecedores num polo industrial e logístico nas Pontes, gerando mais 300 postos de trabalho.
O Presidente Rueda, destacou também que a previsão é iniciar as obras em 2027 para que o complexo esteja operacional em 2028. O projeto incluiria duas fases que permitiriam atingir uma produção anual de 120.000 veículos.
Por sua parte, o site European Business Magazine, citando a Bloomberg, avança que a lógica comercial do investimento da SAIC é direta: contornar as pesadas barreiras alfandegárias da UE. A empresa enfrenta a maior carga tarifária entre os fabricantes chineses, somando 35,3% de taxas adicionais aos 10% da tarifa padrão de importação, o que resulta num encargo combinado de 45,3%. A instalação de uma fábrica dentro da União Europeia eliminaria totalmente este impacto económico, restaurando de imediato a competitividade.
A escolha da Galiza é justificada, em grande parte, pela proximidade marítima com o Reino Unido, que se mantém como o mercado europeu mais importante para a MG (Morris Garages), a conhecida marca de carros britânica fabricada pela SAIC. Esta posição geográfica confere à localização galega uma clara vantagem logística face a outras alternativas na Europa Central. O mercado britânico consolida-se, portanto, como o principal destino estratégico da produção que a SAIC planeia desenvolver a partir das suas novas instalações na Galiza.
A dimensão do investimento é respaldada pelas vendas da SAIC, que atingiram recentemente os 100 milhões de veículos entregues globalmente. Longe de ser uma entrada provisória no mercado, a iniciativa demonstra que a empresa, após estabelecer uma sólida escala comercial na Europa, avança agora para a construção da infraestrutura de fabricação necessária para sustentar o seu crescimento. A instalação na Galiza faz parte de um movimento estrutural que está a remodelar a geografia automóvel europeia, impondo dinâmicas de mercado que os fabricantes estabelecidos na Europa estão apenas a começar a absorver.
As tarifas da Comissão Europeia sobre veículos elétricos visavam dar tempo aos fabricantes locais para competir, mas acabaram por acelerar a fixação de fábricas chinesas dentro da União, onde as taxas não se aplicam. Ao estabelecer-se na Galiza, a montadora chinesa deixa de ser uma importadora e passa a operar como fabricante europeia. Este estatuto elimina as tarifas, garante acesso a subsídios, integra a marca nas cadeias de abastecimento e permite-lhe posicionar-se como uma empregadora europeia.

