GNR trabalhou para empresa mineira no Barroso

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GNR reconheceu ter sido requisitada de forma privada pela Savannah para serviços remunerados em 2022 e 2025

Redação |

Documentos obtidos pelo Fumaça revelam que a Savannah Lithium, contratou a GNR de Boticas para serviços de segurança privada em 2025. A empresa extrativista é responsável pelo projeto de mineração de lítio nas aldeias de Covas do Barroso e Romainho e enfrenta uma forte rejeição por parte da comunidade local.

Segundo uma investigação publicada na semana passada pelo podcast de jornalismo e investigação Fumaça, a Savannah Lithium contratou a GNR de Boticas para proteger o seu projeto de exploração de lítio no Barroso.

Um documento obtido pelo Fumaça comprova que a GNR reconheceu ter sido requisitada de forma privada pela Savannah para serviços remunerados em 2022 e 2025. Esta última contratação ocorreu após atos de sabotagem e danos em instalações e equipamentos da empresa, tendo os serviços sido efetivamente prestados. A respetiva fatura demonstra que a Savannah Lithium pagou 835€ à GNR, correspondentes a um mínimo de 44 horas de serviço realizado em seu benefício.

Segundo a representante da GNR, as ações decorreram a 18 e 19 de janeiro de 2025 — cerca de um mês após a autorização da primeira servidão administrativa — mas rejeitou que coincidissem com os incidentes relatados.

Segundo a Lei Orgânica da GNR, a contratação de militares por privados para serviços remunerados é normalizada em Portugal. Empresas requisitam regularmente agentes para garantir a segurança em eventos culturais, desportivos e de lazer. Adicionalmente, a GNR atua na proteção e transporte de valores, bens e instalações, abrangendo também estaleiros de construção civil, infraestruturas ou complexos industriais.

A peça do Fumaça termina afirmando que “Apesar da legalidade e da normalidade do procedimento, os moradores consideram que este enquadramento legal não elimina o evidente conflito de interesses que representa ter forças policiais a proteger a mina.”

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