Canábis é consumido por 18,6% dos estudantes
Redação |
Um estudo científico acaba de traçar o perfil dos estudantes da Galiza que são consumidores de canábis. A investigação foi publicada na edição de maio da revista Atención Primaria e foi desenvolvido por cinco investigadoras associadas à Universidade de Santiago de Compostela e à Conselharia de Sanidade da Junta da Galiza.
A análise revelou que a falta de afeto no ambiente familiar é o fator com maior ligação ao consumo. A probabilidade também aumenta face a uma maior permissividade dos pais em relação ao tabaco, álcool e canábis, assim como perante um pior desempenho académico. Além disso, o hábito de consumir a substância cresce proporcionalmente à frequência das saídas noturnas dos jovens. Em contrapartida, o estudo identificou que a prática de alguma atividade desportiva está associada a um menor consumo.
O estudo caracteriza o perfil dos consumidores como fumadores diários de tabaco e utilizadores de cigarros eletrónicos e bebidas energéticas misturadas com álcool. No contexto familiar, estes jovens relatam haver permissividade em relação à canábis, revelam uma baixa perceção dos riscos associados e afirmam ter facilidade em conseguir substâncias ilegais.
No que diz respeito aos fatores de proteção, o estudo destaca duas variáveis que ajudam a prevenir o consumo entre os jovens, a saber, o estabelecimento de normas claras em casa e, acima de tudo, da existência de um trato carinhoso por parte da família.
A investigação focou-se especificamente em estudantes com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos. A amostragem foi feita através de uma seleção aleatória de estabelecimentos de ensino por toda a Galiza. No total, participaram 52 centros educativos, abrangendo 104 turmas e 2.185 respostas.
Nesta análise, as investigadoras definiram como variável principal o consumo nos últimos 30 dias, servindo assim de base para o desenho de estratégias de prevenção e políticas de saúde pública direcionadas e eficazes para a realidade escolar galega.
O estudo analisou variáveis como sexo, idade, escolaridade, país de nascimento, além da situação económica, laboral e académica dos pais. No âmbito das relações familiares e sociais, avaliou-se o afeto recebido, o controlo por normas e a permissividade face ao tabaco, álcool e canábis. Foram também examinados os hábitos escolares e de lazer, incluindo notas, reprovações, gastos, saídas noturnas e atividades. Por fim, investigou-se o consumo de outras substâncias, como álcool e cigarros eletrónicos, comportamentos problemáticos e o nível de informação e atitudes face às drogas.
Relativamente à amostra, 52,6% são homens, 7,6% nasceram fora de estado e 82,6% situam a economia familiar na média. Quanto ao contexto parental, 78,2% têm pais no ativo e 21,9% com estudos superiores. O consumo de canábis foi registado em 18,6% dos jovens, sendo mais frequente nos homens (20,8%) do que nas mulheres (16,1%), aumentando com a idade, e mostrou-se maior entre os jovens nascidos fora do estado e nos que têm uma situação económica familiar acima da média.
A relação entre o sucesso nos estudos e o consumo de canábis apresenta uma tendência inversa e que, o envolvimento em atividades desportivas e a dedicação a passatempos e hobbies, funcionam como variáveis protetoras contra o consumo.
Ao analisar estes resultados, é fundamental ter em conta que a autodeclaração de comportamentos com conotações sociais negativas pode ser afetada pelo viés de desejabilidade social, o que aponta para uma provável infraestimação da verdadeira prevalência e escala do consumo real de substâncias.

