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No 20 de outubro, o Auditório da Escola Camilo Castelo Branco, acolheu o evento “PhonesOff: O que muda na escola quando tiramos os telemóveis“. Organizada pelo Município de Oeiras, a iniciativa teve como foco a apresentação do estudo de impacto sobre estabelecimentos de ensino sem telemóveis.
A investigação, promovida pela autarquia, visou avaliar o impacto percecionado por crianças e jovens relativamente às regras de restrição do uso de telemóveis no ambiente escolar. A recolha de dados decorreu entre março e maio, abrangendo 3.427 alunos do 1.º ao 9.º ano, repartidos por 30 escolas do concelho.
Quando questionados sobre as aulas sem telemóvel, 62,9% declararam estar mais atentos e 59% afirmaram sentir maior vontade de participar nas atividades. Além disso, o índice de bem-estar escolar registou 74,6 pontos, numa escala que vai de 0 a 100.
O impacto da medida estendeu-se aos períodos de recreio, onde 74,4% dos alunos indicaram que aproveitam o tempo para conversar com os amigos, 53% para brincar livremente e 42,8% para praticar desporto. Em contrapartida, apenas 0,7% dos estudantes referiu usar o telemóvel no intervalo.
Alinhamento e tendência internacional
As conclusões do estudo PhonesOff, vão ao encontro dos resultados dos organismos globais que analisam o impacto dos telemóveis no ambiente escolar.
A UNESCO, através do seu Global Education Monitoring Report, tem sido uma das vozes mais ativas na regulação da tecnologia nas salas de aula. A organização apelou publicamente à restrição global do uso de telefones nas escolas quando a tecnologia não serve um propósito pedagógico claro. Nos seus relatórios, alerta para uma “ligação negativa” direta entre o uso excessivo de telemóveis e o rendimento escolar, destacando problemas de dispersão de atenção e aumento do ciberassédio.
Por sua vez, através do programa PISA e de relatórios sobre o ecossistema digital nas escolas, a OCDE concluiu que mais de 30% dos alunos se distraem com telemóveis nas aulas. Além disso, cerca de 17% dos jovens de 15 anos revelam sentir ansiedade ou nervosismo quando estão afastados dos seus aparelhos.
A OCDE aponta ainda que a presença não regulada telemóveis na sala de aula correlaciona-se com a queda no desempenho em leitura e matemática e com uma diminuição da capacidade de concentração.
A monitorização realizada pela UNESCO revela ainda que a adoção de restrições ao uso de telemóveis nas escolas cresceu rapidamente em todo o mundo, passando de menos de 25% dos sistemas educativos em 2023 para cerca de 58% em 2026.
Nos EUA, os dados do National Center for Education Statistics indicam que cerca de 76% das escolas públicas aplicam limitações ao uso não letivo de telemóveis, com estados a legislarem a sua proibição para reduzir distrações e conflitos. No Canadá, províncias como Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica reportam um aumento no envolvimento académico e uma diminuição da ansiedade ligada às redes sociais após a implementação de restrições.
Dados compilados pela própria UNESCO e por autoridades locais na Argentina e no Brasil evidenciam o avanço do banimento de telemóveis no ensino básico. Estes relatórios destacam o incentivo ao jogo ativo, a melhoria da convivência presencial e a diminuição do ciberassédio durante os recreios.
Na China, uma diretiva do Ministério da Educação proíbe os estudantes de levarem telemóveis para a sala de aula em todas as escolas do país. A medida exige o seu recolhimento num local central e veda aos docentes o envio de trabalhos de casa por aplicações móveis. Por sua vez, as avaliações de impacto associam a decisão ao combate à dependência digital, à melhoria do sono e à prevenção da miopia infantil.
Em Singapura, o Ministério da Educação restringe o acesso aos telemóveis ao longo de todo o dia escolar, registando ganhos na coesão interpessoal e no rendimento académico. Na Coreia do Sul, a revisão da Lei de Educação Básica estabeleceu a proibição do uso e posse durante as horas de aula, visando salvaguardar o ambiente de aprendizagem e a autoridade docente. Já no Japão, as orientações do Ministério da Educação articulam-se com acordos comunitários e associações de pais para promover zonas livres de ecrãs, reduzindo o stress digital e prevenindo perturbações do sono entre os jovens.




