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O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, exigiram a 25 de agosto a proibição de máquinas com autonomia para matar. Para isso, apelaram a negociações com vista a um tratado internacional na 7ª Conferência de Revisão da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, agendada para novembro.
O apelo surge num momento em que a IA ganha espaço em decisões em guerras e em conflitos armados. Se a associação entre ética e guerra já constitui uma contradição irresolúvel, a introdução da IA multiplica exponencialmente os riscos e os dilemas morais.
Neste cenário de substituição do discernimento humano por algoritmos a arquitectura legal internacional debate-se para impor limites a uma corrida armamentista digital que ameaça redefinir os conflitos globais sob uma lógica estritamente maquinal.
No extremo desta trajetória encontram-se os chamados robôs assassinos. Impulsionados por avanços que permitem selecionar e atacar alvos de forma autónoma. Estes sistemas já são desenvolvidos para conflitos armados, com projeções de uso estendidas ao controlo de fronteiras e ao policiamento urbano.
Embora o apelo da ONU e da Cruz Vermelha ganhe agora nova urgência, a campanha Stop Killer Robots foi lançada publicamente em 2013 e conta atualmente com o apoio de mais de 300 organizações-membros distribuídas por mais de 70 países.
A Stop Killer Robots alerta para a desumanização digital. Ao processar seres humanos como meros dados e cruzar padrões, estas máquinas transferem para algoritmos a decisão letal de atacar.
A campanha também alerta que a incorporação de vieses algorítmicos em armas autónomas perpetua e agrava desigualdades estruturais. Como os preconceitos sociais residem nos dados e rótulos que alimentam os sistemas, estes matam com base em identidades pré-programadas. Ademais, estas tecnologias costumam ser testadas primeiro em comunidades marginalizadas, inserindo as estruturas de desigualdade diretamente no armamento.





