Morre Luís ‘Foz’, figura histórica do soberanismo galego

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Redação |

Luís Gonçález Blasco, ‘Foz’, faleceu aos 85 anos. Professor e militante independentista de longa data, ‘Foz’ foi uma personalidade em relevo na Galiza, deixando um legado marcado pelo compromisso determinado com a soberania nacional e a unidade linguística.

Nascido em Foz em 1941, o seu despertar político aconteceu na juventude em Madrid, ao integrar o grupo ‘Brais Pinto’. Essa experiência foi determinante para a sua formação ideológica, fundindo o nacionalismo com o marxismo. Este percurso culminou na sua participação na fundação da União do Povo Galego em 1964.

A sua militância obrigou-o a viver na clandestinidade e ao exílio na França a partir de 1968, onde foi responsável pela estruturação da secção europeia da UPG. A sua visão estratégica contribuiu decididamente a internacionalizar o nacionalismo galego, sendo um dos arquitetos da histórica ‘Carta de Brest’. Neste encontro, a UPG articulou-se com movimentos como o Sinn Féin irlandês e a União Democrática Bretã para analisar o colonialismo na Europa ocidental. Essa articulação abriu caminho para uma rede de solidariedade internacional que viria a incluir forças de Euskal Herria, Gales, Catalunha e Sardenha. Após o 25 de abrilm Foz veio para Portugal em 1975 contatando com partidos portugueses de esquerda e outros exilados da UPG, o que ficou refletido nalgum dos seus livros publicados.

Abandonada a militância na UPG, participou em diferentes organizações políticas independentistas, a saber, no Galiza Ceive-OLN, Partido Galego do Proletariado, Assembleia do Povo Unido, NÓS-Unidade Popular e, nos últimos anos, no Cerna e nas Marés.

Para além da sua intensa atividade política, a sua defesa da unidade da língua (galego-)portuguesa foi uma constante na sua trajetória. Foi vice-presidente da Associação Galega da Língua e membro de número da Academia Galega da Língua Portuguesa, dedicando uma parte importante da sua vida académica e intelectual a este movimento.

O seu trabalho de investigação ficou plasmado em diversas obras de interesse para compreender a história dos movimentos políticos galegos, tais como A política e a organizaçom exterior da UPG (1964-1986) , A UPG em Portugal e alguma coisa mais (2022) e Celso Emílio Ferreiro, nacionalista galego (2023).

A partida de Luís ‘Foz’ não é apenas a perda de um militante, mas símbolo do encerramento de um capítulo da história contemporânea da política galega. Deixa para trás um rastro de energia moral, política e intelectual, com grande impacto na configuração do soberanismo e numa maior consciência linguística na Galiza.


Fotografia: José Goris

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