Calouste Gulbenkian e os 70 anos da Fundação

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Redação |

A Fundação Calouste Gulbenkian cumpre neste ano sete décadas de existência, consolidada como uma das instituições mais emblemáticas e influentes de Portugal nas áreas da arte, da ciência, do conhecimento e da educação. Para assinalar o 70.º aniversário, a instituição preparou uma agenda que homenageia o seu legado e projeta uma visão aberta e contemporânea.

Criada em 1956 por testamento do empresário e filantropo arménio Calouste Gulbenkian, a fundação mantém os seus pilares fundamentais adaptados aos desafios do século XXI. “A arte, o conhecimento e a ciência, num mundo mais justo, sustentável e diverso” continua a ser o lema orientador da instituição.

O seu fundados, Calouste Sarkis Gulbenkian, foi uma figura influente da geopolítica do petróleo no século XX. Nascido no Império Otomano e de origem arménia, aliou a sua inteligência diplomática a uma capacidade rara de antecipação económica, negociando participações que moldaram o consórcio da Turkish Petroleum Company.

Gulbenkian foi um estratega corporativo criticado por lucrar friamente com a fragmentação do sudoeste asiático. Graças à engenharia financeira e a neutralidade estratégica durante as guerras mundiais conseguiu uma imensa fortuna.

Caracterizou-se por uma busca obsessiva de arte e reuniu uma das coleções mais valiosas do mundo. Ao fixar-se em Lisboa em 1942, preparou o seu legado definitivo: a Fundação Calouste Gulbenkian, que transformou o panorama cultural de Portugal.

O início das comemorações dos setenta anos da Fundação está agendado para o dia 18 de julho, com a reabertura do Museu Gulbenkian após uma renovação estrutural. O Grande Auditório reunirá o Coro e a Orquestra Gulbenkian sob a batuta de Carlo Rizzi e com a participação da soprano Sonya Yoncheva.

No campo das artes visuais, a Biblioteca de Arte e Arquivos Gulbenkian assina a exposição “Gulbenkian, 70 anos em cartaz”. Sob curadoria de Ana Barata, a mostra reúne 70 cartazes históricos, traçando a memória das sete décadas de atividade da instituição, servindo também como um testemunho da evolução do design gráfico contemporâneo em Portugal.

No mesmo âmbito das artes integradas, a exposição imersiva e concerto “Amazônia” – baseado no trabalho fotográfico de Sebastião Salgado – subiu ao palco en junho, cruzando a arte musical de Heitor Villa-Lobos com um apelo visual à preservação ambiental e à sustentabilidade do planeta. Adicionalmente, a Sala Polivalente acolhe a oficina de linogravura “Regresso à gravura. 7 obras para 70 anos”, orientada por Rita Cortez e Rui Horta.

O cinema terá um papel de destaque com um ciclo desenhado para debater e explorar as ligações entre os movimentos musicais, as dinâmicas sociais e a cultura global. A seleção inclui a exibição de documentários e filmes seguidos de conversas temáticas, arrancando com A Hard Day’s Night. O ciclo prossegue com as exibições de Don’t Look Back e The Last Waltz, encerrando com as projeções de Stop Making Sense e Summer of Soul.

No plano da avaliação do seu legado filantrópico, a Fundação promove a apresentação do estudo “70 anos de Apoios”. Este documento detalha o alcance e o impacto socioeconómico e cultural dos subsídios e apoios distribuídos pela Gulbenkian, coincidindo com o lançamento de uma plataforma digital pública que reunirá estes dados.

Em setembro, o recém-criado Instituto Gulbenkian de Estudos Avançados assinala o arranque formal dos seus trabalhos com uma Aula Inaugural e, em novembro, realiza-se a conferência “A importância das humanidades hoje”, com a intervenção de David Nirenberg, sob o tema “Formas experimentais para a vida intelectual”.

A temporada musical estende-se até ao final do ano com produções sinfónicas no Grande Auditório. Em outubro, será apresentado o Concerto para Piano n.º 2 de Sergei Prokofiev. O encerramento oficial do ano comemorativo acontecerá a 10 e 11 de dezembro com a interpretação da Sinfonia n.º 4 de Tchaikovsky.


Fotografia: Fundação Calouste Gulbenkian

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