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A escritora Lídia Jorge é a vencedora da 38.ª edição do Prémio Camões 2026. O júri deliberou por unanimidade, destacando «o diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do património literário e cívico-cultural da língua portuguesa».
O júri destacou ainda que a escrita de Lídia Jorge é «marcada por uma prosa poética densa», dedicada à exploração de temas como o passado ditatorial e a transição democrática, a condição feminina, a emigração, os conflitos geracionais, as transformações sociais e o papel da memória coletiva na construção da identidade contemporânea.
Nascida em Boliqueime (Algarve), em 1946, Lídia Jorge é licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e foi professora do ensino secundário e convidada na mesma faculdade. Viveu em Angola e Moçambique durante a Guerra Colonial. Destacada defensora dos direitos humanos e das mulheres em particular, integrou o Conselho Geral da Universidade do Algarve, foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social e integrou o Conselho de Estado entre 2021 e 2026.
Ao longo de mais de quatro décadas, construiu uma obra amplamente reconhecida e traduzida em mais de vinte línguas. Estreou-se com o romance O Dia dos Prodígios em 1980. Os títulos seguintes, O Cais das Merendas e Notícia da Cidade Silvestre, receberam o Prémio Literário Município de Lisboa. Porém, foi com A Costa dos Murmúrios, reflexo da sua experiência na África colonial, que consolidou o seu lugar no panorama literário português.
Na década de 1990, publicou A Última Dona, O Jardim sem Limites e O Vale da Paixão. Paralelamente, lançou as edições separadas de A Instrumentalina e O Conto do Nadador e a antologia Marido e Outros Contos.
Nos anos 2000, assinou O Vento Assobiando nas Gruas e a antologia O Belo Adormecido. Com Combateremos a Sombra, venceu em França o Prémio Michel Brisset, atribuído pela Associação dos Psiquiatras Franceses. Editou ainda a coletânea Praça de Londres e o livro de ensaios Contrato Sentimental, uma reflexão crítica sobre o futuro de Portugal.
Seguiram-se os romances A Noite das Mulheres Cantoras, Os Memoráveis — sobre a mitologia da Revolução dos Cravos —, O Amor em Lobito Bay e Estuário, focado na vulnerabilidade do tempo atual. Em 2019, estreou-se na poesia com O Livro das Tréguas. Em 2020, recebeu o Prémio FIL de Literatura em Línguas Românicas (Guadalajara, México),e, em 2021, reuniu as crónicas lidas ao longo de um ano na Antena 2 sob o título Em Todos os Sentidos.
O seu romance Misericórdia, conquistou o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, o Eduardo Lourenço, o Urbano Tavares, o de Narrativa do PEN Clube Português e o Prémio São Clemente do Instituto de Ensino Secundário Rosalia de Castro de Santiago de Compostela. No plano internacional, Misericórdia recebeu os prémios Médicis Estrangeiro e o Estatal Austríaco de Literatura Europeia.
Para além das homenagens mencionadas, foi distinguida com o doutoramento Honoris Causa pelas universidades do Algarve e de Aveiro. Foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em França, recebeu as insígnias de Dama da Ordem das Artes e das Letras, sendo posteriormente elevada ao grau de Oficial.
Foi também galardoada na Alemanha com o Prémio de Literatura Albatros da Fundação Günter Grass e com o Prémio da Latinidade João Neves da Fontoura, atribuído pela União Latina. Também na Galiza, a associação de escritores galegos AELG concedeu-lhe o título de Escritora Galega Universal.
Em 2025 recebeu o Prémio Pessoa, e no passado mês de junho, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural.
Fotografia: “Facebook oficial da Dom Quixote sobre a obra literária de Lídia Jorge “





