Identificada no Porto a aranha-marrom-chilena

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Redação |

Investigadores do Museu de História Natural da Universidade do Porto confirmam o registo da Loxosceles laeta, uma espécie exótica cuja picada pode causar lesões na pele.

Uma descoberta científica recente acaba de redesenhar o mapa da biodiversidade na Europa, trazendo consigo um aviso para as autoridades de saúde e ambiente. Os investigadores Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva, vinculados ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, confirmaram a presença da aranha-marrom-chilena no coração do Porto.

O achado, detalhado no artigo científico “First record of Loxosceles laeta […] for the Iberian Peninsula” – publicado1 na Arquivos Entomológicos Galegos representa uma atualização na distribuição europeia desta espécie. Embora se trate de um aracnídeo de comportamento retraído, a espécie detém uma elevada importância médica: o seu veneno é potencialmente necrótico, capaz de provocar lesões cutâneas severas em caso de picada.

A deteção da aranha não foi o resultado de um acompanhamento minucioso. A descoberta localiza-se no Campo dos Mártires da Pátria, precisamente nas imediações do edifício do Museu de História Natural. A cronologia arrancou em janeiro de 2024 com a captura de uma primeira fêmea, e em setembro de 2025, o biólogo J.M. Grosso-Silva confirmou em laboratório a identidade da variante chilena ao identificar um espécime macho. Já em janeiro de 2026, a recolha de mais um macho e duas fêmeas em armadilhas adesivas acabou por comprovar a persistência da colónia na zona.

Até à data, os registos científicos consolidados na Europa eram escassos. À exceção de colónias antigas documentadas na Finlândia e de um caso recente detetado numa cave universitária na Alemanha, o resto do continente permanecia formalmente livre da espécie — uma vez que os dados que apontavam para a sua presença em Itália carecem de robustez científica.

Com esta nova confirmação, abre-se o debate sobre a real dimensão da expansão desta aranha na Europa. A sua extrema semelhança com a nativa Loxosceles rufescens (a aranha de fenda comum) faz com que, muito provavelmente, a invasora chilena esteja a passar despercebida noutros locais.


Fotografia: Exemplar macho de Loxosceles laeta proveniente do Porto, fotografado a 10 de setembro de 2025. / Gil & Grosso-Silva 2025

  1. First record of Loxosceles laeta […] for the Iberian Peninsula” – publicado1 na Arquivos Entomológicos Galegos ↩︎

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