Atividade humana teria alterado movimento e eixo da Terra

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Cálculos científicos demonstram que a atividade humana já está a alterar o movimento da Terra. Embora essas alterações sejam de milissegundos ou de centímetros no eixo planetário, elas revelam o impacto antropogénico na Terra.

Redação |

A ideia de que a atividade humana pode alterar a rotação da Terra é uma realidade mensurável pela geodesia. O fenómeno ocorre porque a redistribuição da massa do planeta — seja através da deslocação de água, gelo ou rocha — para mais perto ou mais longe do eixo de rotação modifica diretamente a velocidade e a inclinação do globo.

Estudos liderados por Benedikt Soja, publicados na Proceedings of the National Academy of Sciences (2024) e por Mostafa Kiani e Benedikt Soja no Journal of Geophysical Research (2026), confirmam a influência da perda de gelo na rotação terrestre. O estudo de Kiani&Sojak, recorrendo à IA e dados históricos, confirmou que o derretimento do gelo desacelera o planeta, aumentando o dia em 1,33 milissegundos por século.

O aquecimento global que está a provocar o degelo dos glaciares polares atua diretamente na mecânica do planeta através da redistribuição de massas líquidas. À medida que a água derrete, acumula-se predominantemente nas regiões equatoriais, empurrada pela força centrífuga: ao mover a massa dos polos para o equador, a rotação da Terra abranda, tornando os dias ligeiramente mais longos.

Por sua parte, a bombagem massiva de aquíferos subterrâneos para a agricultura e consumo público, tem um impacto direto na inclinação do planeta. Segundo a investigação publicada em junho de 2023 na revista Geophysical Research Letters, pelo geofísico Ki-Weon Seo, validou-se, através de modelos climáticos e simulações de computador, a estimativa de 2.150 gigatonelas de água extraídas do subsolo entre 1993 e 2010.

Este volume acabou por escorrer maioritariamente para os oceanos e alterou a distribuição de peso do planeta. Como consequência, o eixo de rotação da Terra sofreu uma inclinação de quase 80 centímetros para leste num período de apenas 17 anos.

A engenharia civil também está a deixar uma marca mensurável na rotação da Terra através da retenção artificial de grandes volumes de água. O exemplo mais paradigmático deste impacto geofísico é a Barragem das Três Gargantas, localizada na China.

Barragem das Três gargantas no Yangtzé

Ao atingir o seu nível máximo, a infraestrutura chinesa cria um reservatório colossal, acumulando 39.300 milhões de m3 de água a 175 metros acima do nível do mar. Ao concentrar e elevar esta massa longe do centro da Terra, a barragem alterou o momento de inércia do planeta.

Cálculos geofísicos estimam que esta redistribuição de peso foi suficiente para aumentar a duração do dia em 0,06 microssegundos e deslocar a posição do polo terrestre em cerca de dois centímetros. Esta informação baseia-se em cálculos geofísicos realizados por cientistas da NASA, especificamente pelo laboratório do Jet Propulsion Laboratory, tendo os dados sido calculados e publicados originalmente pelo Dr. Benjamin Fong Chao.

Além destes impactos, outras atividades humanas geram perturbações mensuráveis na física do planeta. As emissões de gases alteram a temperatura e a pressão da atmosfera, modificando o regime global de ventos. Como a fricção do vento contra a superfície terrestre regula a velocidade do globo, esta mudança altera a dinâmica da rotação.

A megamineração também remove e redistribui massas colossais de rocha profunda, alterando a densidade local da crosta e influenciando o eixo do planeta. Paralelamente, a urbanização vertical concentra milhões de toneladas de materiais em megacidades nas latitudes médias, provocando uma microdesaceleração.

Por fim, os testes nucleares subterrâneos históricos injetaram energia drástica no subsolo, gerando choques sísmicos que provocaram fraturas e deslocações rochosas permanentes, modificando a distribuição interna de massa da Terra.


Fotografia : Tim Jarrett. Mina Bingham Canyon, Utah, Wikimedia.

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