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Um estudo encomendado pelo Parlamento Europeu revela que é viável criar “Florestas Primárias Novas” na Europa Ocidental onde restam vestígios das matas originais. O relatório, aponta para o Gerês como potencial território estratégico para restaurar ecossistemas e mitigar as alterações climáticas.
O relatório, intitulado Tomorrow’s primary forests. The feasibility of realising Novel Primary Forests in the western part of Europe, foi elaborado por Bart Nyssen e Bart Muys (Universidade KU Leuven) para o painel de ciência e tecnologia do Parlamento Europeu. O documento servirá de referência para apoiar o trabalho legislativo dos eurodeputados.
O estudo avalia a viabilidade de estabelecer Florestas Primárias Novas na Europa Ocidental, onde restam apenas pequenos vestígios originais. O foco incide em áreas com mais de 70.000 hectares de baixa intensidade de gestão, que incluam pelo menos 10.000 hectares de reserva florestal contígua, estrita e não gerida.
A região do Gerês-Xurés estende-se por quase 268.000 hectares. Caracteriza-se por extensos maciços graníticos, vales fluviais íngremes e fortes gradientes altitudinais, que criam condições climáticas diversas e uma ampla gama de habitats de elevado valor ecológico.
Do ponto de vista botânico, o Gerês tem uma elevada diversidade florestal, incluindo florestas caducifólias de longa continuidade e maturação. Paralelamente, os sistemas silvopastoris tradicionais, com particular destaque para o pastoreio de gado, continuam a moldar a estrutura da floresta e as suas dinâmicas de regeneração.
A nível demográfico, a densidade é baixa e fragmentada. Os aglomerados populacionais concentram-se principalmente nos vales e nas zonas tampão, enquanto as grandes áreas florestais permanecem desabitadas. A rede de infraestruturas reflete este isolamento, sendo bastante limitada e maioritariamente descontínua.
A área, declarada Reserva da Biosfera em 2009, inclui atualmente o Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Parque Natural da Baixa Límia-Serra do Xurés, ambos amplamente integrados na rede europeia Natura 2000. Estes quadros de proteção sobrepostos asseguram a conservação da biodiversidade, permitindo que o uso tradicional do solo e o ecoturismo sejam mantidos sob uma gestão cuidadosa.
Neste cenário, os autores do estudo propõe a criação de uma reserva florestal estrita, correspondente à categoria Ib da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A área, de 17.518 hectares, é delineada entre a região do Gerês, a sul, e Torneiros, a norte. Os restantes núcleos da reserva continuarão a apoiar a biodiversidade na qualidade de reservas florestais sob a categoria II da UICN.
Desta forma, a reserva florestal planeada será salvaguardada por estas zonas de proteção e pela zona tampão da própria Reserva da Biosfera, que abrange 75.255 hectares. Por fim, prevê-se que a consolidação desta Nova Floresta Primária funcione como um motor de desenvolvimento socioeconómico sustentável, gerando oportunidades ecológicas tanto nesta área de amortecimento como numa zona de transição socioeconómica mais ampla, estimada em 175.227 hectares.
Para orientar a expansão deste modelo, definiram-se diretrizes divididas em critérios ecológicos, socioeconómicos e fatores políticos. No plano ecológico, exige-se o potencial para abranger pelo menos 70.000 hectares totais, garantindo a restauração de processos-chave como a hidrologia, a sucessão e as interações tróficas.
Fotografia:Alberto Mesquita – Wikimedia commons





