Mais de 40 coletivos propõem alterar o nome da “Avenida Juan Carlos I” por “Rua de Gaza”. Afirmam que a alteração visa mostrar o apoio ao povo palestiniano e retirar um nome associado a supostas irregularidades, destacando a identidade da cidade como “aberta e solidária”
Redação |
A iniciativa, impulsionada por diversas organizações sociais, propõe que a avenida mude a sua denominação como um gesto de repúdio à corrupção e de solidariedade com os direitos humanos na Palestina.
O debate sobre a memória histórica e a ética no espaço público está a ganhar um novo capítulo na capital galega. Numerosos cidadãos e um conglomerado de coletivos estão a somar-se a uma petição formal que será dirigida ao governo municipal, solicitando a alteração do nome da Avenida Juan Carlos I. A proposta da cidadania e dos ativistas é que a via passe a chamar-se Rua de Gaza.
Os signatários argumentam que a figura de Juan Carlos I está ligada a escândalos de corrupção e opacidade financeira. O comunicado menciona o uso de fundos não declarados, fundações opacas e contas em paraísos fiscais como razões que tornam a homenagem “incompatível com os valores éticos que a cidadania reclama”.
Para os promotores da iniciativa, manter o nome do monarca espanhol no roteiro da cidade é uma forma de validação pública de uma conduta que consideram desonrosa. “A toponímia de uma cidade deve refletir referentes de integridade. Manter esta denominação é manter um símbolo de falta de exemplaridade”, afirmam os coletivos na proposta.
A substituição por “Rua de Gaza” é apresentada como um posicionamento de Compostela no cenário mundial. Segundo o texto da petição, Gaza representa hoje a resistência de um povo perante a ocupação e a violação sistemática dos direitos humanos.
Os coletivos defendem que a alteração tem três pilares fundamentais: a solidariedade do gesto direto de apoio ao povo palestiniano; a ética da substituição de um nome associado a privilégios e irregularidades por um que evoca a luta pela vida e pela justiça; e a identidade de uma Compostela “aberta e solidária”, que utiliza os seus espaços públicos para transmitir mensagens de compromisso com os direitos humanos.
A petição está agora em fase de recolha de assinaturas entre os residentes e outras organizações da sociedade civil. O objetivo é levar o tema ao plenário do Câmara Compostelana governada pelo Bloco Nacionalista Galego, forçando os partidos políticos a posicionarem-se.
Embora o debate sobre a retirada de nomes ligados à monarquia espanhola não seja novo, a proposta de renomear a avenida em homenagem a Gaza acrescenta uma camada de urgência política, dada a situação humanitária na Palestina.
A iniciativa conta já com o respaldo de mais de 40 coletivos sociais. Este apoio une diferentes setores da sociedade civil, desde organizações de defesa dos direitos humanos a associações de bairro e grupos estudantis, organizações de solidariedade internacional, plataformas cidadãs e de bairro e movimentos em defesa da memória histórica, entre outros.





