Galiza-Norte de Portugal: Um modelo europeu de integração

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Redação |

Neste mês de outubro, a cooperação na eurorregião intensificou-se com a multiplicação de iniciativas conjuntas. Projetos em áreas cruciais — como a saúde de emergência, o desenvolvimento económico, a conservação ambiental, a sustentabilidade rural e a valorização patrimonial — avançaram sem a tutela nem os entraves de Lisboa e Madrid. Esta dinâmica contínua reafirma a eurorregião como um modelo de integração singular e exemplar no contexto da União Europeia.

A Eurorregião Galiza-Norte de Portugal consolida-se dia após dia como um dos modelos mais dinâmicos de integração e cooperação supraestatal europeus. A norte atlântico peninsular converte-se num espaço de convergência estratégica onde autarquias, organismos regionais, comunidades académicas e entidades socioeconómicas somam esforços.

Com uma população agregada que ultrapassa os 6,4 milhões de habitantes, mais de 657 mil empresas ativas, um Produto Interno Bruto conjunto superior a 167 mil milhões de euros e exportações anuais que superam os 57 mil milhões de euros, a Galiza e o Norte de Portugal demonstram o seu um peso económico e social.
A vitalidade eurorregional reflete-se numa vasta diversidade de iniciativas operacionais e institucionais impulsionadas, neste mês, nos eixos da saúde pública, competitividade empresarial, governação local, arquitetura, sustentabilidade rural e preservação da biodiversidade transfronteiriça.

No 16 de outubro — Dia Mundial da Reanimação Cardiopulmonar — Chaves e Verim uniram-se numa ação escolar de formação e sensibilização em cuidados de emergência e suporte básico de vida, envolvendo a Cruz Vermelha do Alto Tâmega e o 061 Galiza (Fundação Pública Urgências Sanitárias). A iniciativa, facilitada pelo projeto Integrasaúde, teve como objetivo capacitar cidadãos para responder a situações de paragem cardiorrespiratória e acidentes graves.

Numa região onde os tempos de resposta estão condicionados pela dispersão geográfica, a educação cívica e a coordenação entre os serviços de emergência visa o esbatimento das barreiras administrativas e reforça a governação participativa e a entreajuda comunitária.

No âmbito do desenvolvimento económico e da inovação, o AECT da Eurorregião Galiza–Norte de Portugal, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e o Governo galego anunciaram a intenção de criar um Polo de Competitividade. O objetivo é articular as redes empresariais, os centros tecnológicos, os parques de inovação e as universidades.

Nesta primeira edição, o Fórum focou-se em três áreas estratégicas que incluem as tecnologias emergentes, a colaboração público-privada em inovação e as infraestruturas estratégicas de conectividade.

Em paralelo, o Fórum Atlântico Transfronteiriço, impulsionado pela Economia Digital Galiza, estabelece um ponto de encontro para os atores económicos e políticos. Realizado em Santiago de Compostela — com edições subsequentes previstas para o Porto —, este fórum reuniu empresários, académicos e decisores públicos para debater as transformações geopolíticas mundiais, a Europa das Regiões, os fatores de competitividade fiscal e regulatória, e as oportunidades de integração das cadeias de valor eurorregionais.

A cooperação ao nível autárquico deu um passo decisivo em 8 de outubro, com a apresentação pública, no município do Rosal, da Eurocidade Foz do Minho. Esta iniciativa, que une os municípios de Caminha, a Guarda e o Rosal, representa um avanço estrutural na gestão partilhada do território do estuário do Minho.
A futura Eurocidade promove um planeamento conjunto nas áreas da mobilidade, turismo, desporto, proteção ambiental e dinamização cultural. A criação da nova eurocidade aproximará os serviços públicos das necessidades diárias das populações minhotas, permitindo a gestão concertada de equipamentos e a organização de eventos integrados.

A cooperação abrange também a dimensão patrimonial, urbanística e cultural através de projetos informativos e de reflexão como o I Seminário Atlântico “Arquitecturas de Referência na Galiza e no Norte de Portugal”. Este evento foi promovido pelo Colégio Oficial de Arquitetos da Galiza e pela secção do Norte de Portugal da Ordem dos Arquitetos, tendo sido celebrada nos dias 16 e 17 no município de Mondariz-Balneário.

Esta iniciativa coloca em evidência as afinidades construtivas, a evolução do design urbano e os projetos arquitetónicos de excelência que pontuam as paisagens urbanas e rurais da eurorregião. Desde equipamentos públicos contemporâneos até à reabilitação do património histórico e paisagístico, o diálogo entre os arquitetos e urbanistas galegos e portugueses enriquece o debate sobre a sustentabilidade do edificado, o respeito pelo território e a preservação do legado cultural comum.

No passado dia 9 de outubro, decorreu a primeira reunião do Grupo de Ação de Diálogo e Cooperação com as Administrações Públicas, liderada pela Fundação Juana de Vega no âmbito da Aliança para um Território Rural Resiliente. O encontro reuniu mais de vinte entidades para definir prioridades de colaboração institucional, impulsionar a sustentabilidade rural e intercambiar boas práticas entre a Galiza e Portugal.

Perante os desafios demográficos, a desertificação, as alterações climáticas e os riscos de incêndios florestais que afetam os espaços rurais, a Aliança pretende desenvolver estratégias integradas de resiliência. Entre as medidas em curso destacam-se a promoção da bioeconomia e do aproveitamento sustentável dos recursos florestais e agrícolas; o incentivo à inovação no meio rural e à fixação de jovens empreendedores e o reforço das redes de proteção contra riscos ambientais e o fomento do turismo de natureza responsável.

Um dos compromissos mais emblemáticos eurorregionais no domínio ambiental é o avanço rumo à criação da Reserva da Biosfera do Rio Minho. No dia 23 de outubro, o Centro Sociocultural de Tui acolheu a sessão pública do projeto ECOFRONT_MINHO. O evento apresentou o ponto de situação da candidatura à UNESCO.
Reconhecendo o rio Minho como uma artéria vital, as autoridades ambientais, autarquias e entidades científicas da Galiza e de Portugal — com o apoio ativo da Fundação Centro de Estudos Eurorregionais e de organismos europeus — intensificaram os trabalhos técnicos para submeter esta candidatura à UNESCO.

A futura Reserva da Biosfera visa proteger e valorizar um ecossistema fluvial caracterizado por uma rica biodiversidade aquática e terrestre, zonas húmidas e paisagens culturais singulares. Além da conservação da fauna e da flora, o estatuto de Reserva da Biosfera servirá como alavanca para o turismo sustentável, a produção agrícola biológica e a educação ambiental.

No âmbito da transição verde e do fortalecimento da bioeconomia, assume especial relevo o projeto BIO_TRANSFER_GNP e o lançamento de um mapa estratégico dedicado à valorização de subprodutos da indústria agroalimentar.

Este instrumento serve de guia técnico e operacional para mapear resíduos do setor produtivo e transformá-los em matérias-primas secundárias de elevado valor económico e ecológico. Desenvolvido através da estreita académica e tecnológica — com destaque para a participação ativa do grupo GEN (Governança, Economia e Natureza) da Universidade de Vigo —, o projeto visa capacitar as pequenas e médias empresas na adoção de processos circulares.

Ao otimizar o reaproveitamento de recursos endógenos, esta iniciativa fomenta a inovação industrial, mitiga o impacto ambiental e consolida uma rede digital de conhecimento partilhado, impulsionando a coesão territorial e o desenvolvimento sustentável.


Fotografia: Amaianos / Wikimedia Commons

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