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Portugal e a Galiza decidiram reforçar a cooperação nas áreas da pesca e da gestão portuária, após um encontro que contou com a participação do Conselho de Administração da Docapesca, da Conselheira do Mar da Junta da Galiza e do Presidente da Autoridade Portuária de Vigo.
A reunião, no âmbito da feira Conxemar, permitiu aprofundar na gestão portuária, os sistemas de leilão eletrónico e a digitalização da descarga e venda de pescado. O encontro serviu ainda para debater a modernização dos mercados de primeira venda, reforçando a transparência dos preços, a rastreabilidade dos produtos pesqueiros e a segurança alimentar.
Durante as conversações, as partes partilharam ainda boas práticas no domínio da gestão de resíduos, na eficiência energética e na modernização das instalações portuárias. Foram analisadas medidas ligadas à otimização do consumo energético de lotas e instalações frigoríficas, bem como à melhoria da recolha de resíduos marinhos e de subprodutos da atividade pesqueira.
Responsável pela gestão dos portos de pesca e pela organização da primeira venda de pescado no litoral continental português, a Docapesca estrutura-se em cinco delegações regionais. A sua atividade abrange mais de duas dezenas de infraestruturas portuárias e uma rede que ultrapassa as 70 lotas e postos de venda.
A presença da entidade na Conxemar — feira internacional do setor alimentar do mar que decorreu em Vigo até ao dia 8 de outubro — concretizou-se através da sua integração no Pavilhão de Portugal, organizado Associação da Indústria Alimentar pelo Frio e Comércio de Produtos Alimentares. Neste espaço institucional, partilhou o seu módulo com a Propeixe, a Vianapesca, a Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe e a Associação Portuguesa de Aquacultores.
O retrato da pesca e da aquacultura em Portugal
Os mais recentes dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística e pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos traçam um panorama detalhado da atividade pesqueira, do emprego, da aquacultura e do comércio externo de pescado em Portugal, evidenciando tanto a reorganização da frota como a forte pressão do consumo interno.
No domínio da frota e do emprego marítimo, o país registou um total de 3.501 embarcações licenciadas, o que traduz uma redução de 113 unidades em relação ao ano anterior. Apesar deste decréscimo, a população de marítimos embarcados somou 9.358 pescadores, número que reflete um crescimento de 1,9% e a incorporação de mais 177 trabalhadores.
Em sentido oposto, a atividade dos apanhadores e pescadores apeados registou uma redução de 5,1% no número de licenças emitidas. Paralelamente, o esforço de qualificação técnica traduziu-se num total de 10.386 formandos abrangidos pela formação profissional promovida pelo FOR-MAR.
No capítulo da aquacultura, a produção manteve-se na ordem das 20.000 toneladas anuais. A produção de bivalves concentra-se maioritariamente nas rias Formosa e de Aveiro e no Estuário do Sado, com especial relevo para a criação de amêijoa-boa, mexilhão e ostra. Por sua vez, a produção de peixe de mar está focada na dourada, robalo e linguado. Já na aquacultura de água doce, verifica-se uma produção sustentada de truta arco-íris.
A análise aos fluxos comerciais do pescado evidencia a manutenção de um défice estrutural no setor. A taxa de cobertura das importações pelas exportações situou-se nos 51,9%, confirmando que o ritmo de crescimento das importações continuou a superar o das vendas para o exterior.
Esta assimetria é impulsionada por um consumo interno elevado, que se aproxima dos 60 quilos por habitante ao ano, a par das crescentes necessidades de abastecimento de matéria-prima para a indústria transformadora, com destaque para o bacalhau salgado seco, o salmão, o polvo congelado e os enlatados.
O peso do mar na Galiza
Segundo os dados oficiais recolhidos pelo Instituto Galego de Estatística, a pesca, a aquacultura e a transformação industrial do pescado constituem um dos pilares da economia galega, gerando riqueza, emprego e dinamismo territorial. A recolha de dados do IGE sobre as vendas através da rede de lotas da Galiza revela que o volume total negociado se situa entre as 132.000 e as 140.000 toneladas anuais.
A comercialização apresenta concentração territorial, uma vez que cinco portos concentram mais de 80% do volume descarregado e cerca de 70% do valor das vendas. A lota de Ribeira lidera em volume descarregado, enquanto a de Vigo assume a liderança no valor económico da comercialização, seguindo-se os portos da Corunha, Burela e Celeiro.
Quanto à distribuição do valor por segmento, a frota internacional e de grande pesca, que opera em áreas como o Gran Sol, o Atlântico Sul e a NAFO, representa mais de 50% da faturação total da pesca extrativa galega.
Por sua vez, a pesca artesanal e a extração de marisco, embora englobem a maioria das embarcações em atividade, respondem por cerca de 11,5% do valor total descarregado, mantendo o seu foco em espécies tais como o polvo, o percebe e a amêijoa.
O setor garante a ocupação direta de 20.000 a 20.300 trabalhadores, um número que não inclui ainda a indústria conserveira e transformadora.
A frota pesqueira regista uma composição maioritariamente costeira e artesanal, dividida em três grandes segmentos. O artesanal e de baixamar, abrange 89% do total das embarcações registadas. A frota litoral representa cerca de 7%, ao passo que a frota de altura e grande altura reúne cerca de 4% das embarcações.
A aquacultura marinha assume um papel de relevo com um volume total de produção que supera as 240.000 a 250.000 toneladas anuais. O mexilhão é o grande protagonista, sendo responsável por mais de 95% do volume total. Esta espécie é cultivada em cerca de 3.300 bateias distribuídas ao longo das rias de Arousa, Ponte Vedra, Vigo e Muros-Noia.
No âmbito do peixe de engorda, o cultivo do rodovalho posiciona a Galiza na liderança europeia da produção aquícola em terra. Adicionalmente, a amêijoa e a ostra mantêm uma produção relevante através da extração a pé e a partir de embarcação, gerida pelas respetivas confrarias.
A análise da contabilidade do IGE confirma o peso estratégico do setor na economia global da Galiza. Contudo, quando se analisa a cadeia de valor alargada, integrando o complexo mar-indústria que abrange a indústria de conservas de peixe, a congelação, a transformação e a atividade dos grossistas de peixe e marisco, o setor pesqueiro ascende a cerca de 5% do PIB galego, sustentando mais de 30.000 postos de trabalho diretos.
Fotografia: barbanzarousa.gal



