Crise da habitação e inflação leva população para as ruas

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Movimentos como o “Não dá mais para viver assim” ou a plataforma “Vivenda digna já” acusam governos de inação e exigem soluções.

Redação |

A vaga de indignação com a crise do imobiliário e a perda do poder de compra voltou a mobilizar milhares de manifestantes em Portugal e na Galiza. Em solo galego, os protestos do sábado, dia 3, ficaram marcados por ações coordenadas nas principais cidades — com concentrações e marchas em Compostela, Vigo, Corunha, Lugo, Ourense, Ponte Vedra e Ferrol —, num clamor conjunto que combinou críticas às políticas de habitação e apelos à greve geral.

Uma semana após as mobilizações na Galiza, a onda de contestação social contra a crise do custo de vida transferiu-se para Portugal no sábado, dia 10. Convocados pelo movimento “Não dá mais p’ra viver assim”, muitos milhares de manifestantes — com uma presença jovem dominante — saíram às ruas nas cidades de Lisboa, Porto, Braga, Aveiro e Funchal para exigir soluções para o aumento do custo de vida.

A plataforma ‘Vivenda Digna Já‘ apresentou um plano de dez medidas urgentes contra a crise habitacional na Galiza, exigindo aos governos galego e central uma gestão pública sem cedências à especulação.

O decálogo inicia com a exigência de transferência imediata e gratuita para o património galego de cerca de 3 mil imóveis da SAREB, dos quais 1.300 estão prontos a habitar. Conhecida popularmente como o “banco mau” espanhol, esta entidade pública foi criada pelo Governo de Espanha no âmbito da crise financeira e do resgate bancário europeu.

Com estes imóveis e a mobilização das habitações vagas — um terço do parque imobiliário galego —, propõe-se a criação do Banco Galego de Vivenda para arrendamento social, priorizando a reabilitação ambiental com incentivos e sanções para imóveis devolutos.

No âmbito legislativo, reclama-se o fim da privatização habitacional e a proibição de compra por fundos especulativos. Em contrapartida, defende-se o apoio a cooperativas em cedência de uso, um teto máximo para rendas e a rejeição de subsídios diretos a inquilinos ou proprietários.

Para compradores, propõe-se um crédito hipotecário público com juros limitados (via Instituto Galego de Promoção Económica ou negociação coerciva com a banca). Por fim, exige-se uma regulação rigorosa do alojamento turístico e a declaração de zonas de pressão habitacional pelo governo galego para aplicar medidas de correção locais.

Por sua parte, movimento cívico “Não dá mais para viver assim” veio a público exigir medidas drásticas e urgentes ao executivo português para combater a crise socioeconómica, acusando a inação governamental de agravar a vulnerabilidade dos trabalhadores perante a inflação e a crise energética.

As reivindicações centram-se na regulação e controlo de preços de bens essenciais e combustíveis, fundamentadas em modelos já aplicados nas regiões autónomas e noutros países da União Europeia. Paralelamente, propõe-se a criação de um imposto especial sobre os lucros recorde da banca, energia e grande distribuição, visando financiar o alívio dos rendimentos do trabalho.

Considerando o setor da habitação dominado pela especulação e pelo turismo, o movimento exige a fixação de tetos máximos para as rendas e limites ao aumento das prestações do crédito da casa. Adicionalmente, defende um reforço substancial do parque de habitação pública e o fim dos benefícios fiscais concedidos à especulação financeira.

A organização alerta também para a insustentabilidade do atual panorama económico, sublinhando a impossibilidade de viver num país onde os custos com habitação e bens de primeira necessidade consomem a totalidade dos salários.


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