Rendas de bilros de Vila do Conde candidatas a património nacional

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Redação |

A Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde remeteu ao Património Cultural, o Dossier de Instrução para a inscrição das Rendas de Bilros no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial. Esta submissão culmina um trabalho de investigação, documentação e auscultação comunitária.
Impulsionado pela associação vilacondense, o processo envolveu ativamente rendilheiras, instituições locais e parceiros estratégicos. O trabalho conjunto visa documentar, valorizar e salvaguardar uma tradição profundamente enraizada na história económica e social do concelho.

O dossier sistematiza a origem e a evolução histórica da arte de fazer renda de bilros, detalhando as técnicas, os processos de execução, os instrumentos e materiais específicos utilizados, bem como os padrões, as formas de produção e os contextos práticos do dia a dia. Além disso, o documento mapeia os modos de transmissão intergeracional.

Para reforçar esta candidatura, realizaram-se ações participativas complementares, destacando-se um inquérito sociodemográfico às artífices, a recolha de espólio fotográfico, documentação histórica e testemunhos orais. Paralelamente, promoveram-se sessões de trabalho, workshops e iniciativas pedagógicas orientadas para a transmissão desta arte às gerações mais jovens.

Com a entrega da documentação, a proposta será submetida à apreciação da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, abrindo portas para o reconhecimento institucional e a proteção legal para esta tradição e ofício.

Para além da atividade produtiva, em Vila do Conde sobressai o Museu das Rendas de Bilros — integrado no museu municipal — e com a respetiva escola lá sediada. Paralelamente, Peniche assume um papel primordial na preservação do ofício através da sua Escola Municipal de Rendas de Bilros e do Museu da Renda de Bilros, sendo também palco de uma reconhecida mostra internacional.

A produção de renda de bilros alarga-se à Galiza, destacando-se também pelo forte enraizamento institucional e museológico. A tradição encontra na Costa da Morte o epicentro geográfico e produtivo de maior relevo. Camarinhas consolida-se como a capital galega desta arte, albergando também o Museu temático e a consagrada Mostra anual, além de contar com uma escola municipal dedicada a assegurar a transmissão geracional.

A estes polos junta-se o concelho de Vimianço, onde a herança ganha destaque no Castelo que integra de forma permanente os trabalhos de demonstração e exibição ao vivo.


Imagem: Associação para Defesa do Artesanato e Património de Vila do Conde

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