Eixo Atlântico apresenta plano para rede integrada de turismo vitivinícolas na Eurorregião

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Redação |


O Eixo Atlântico apresentou, na semana passada em Vila Real e em Lugo, um plano de enoturismo para cruzar a oferta da Galiza e do Norte de Portugal. Esta estratégia aposta em experiências integradas que unem a paisagem, a gastronomia e o património vitivinícola. A iniciativa visa prolongar as estadias dos visitantes, combater a sazonalidade e dinamizar a economia local durante todo o ano.

O relatório “Propostas de ação para o enoturismo na Galiza e no Norte de Portugal” foi liderado pela Universidade de Vigo, através de Montserrat Cruz, Francisco Javier Sánchez e Vanessa María Suárez, contando com a colaboração de Mª Carmen Pardo, da Universidade de Santiago de Compostela.

O relatório centra-se em Valdeorras, Ribeira Sacra, Douro, na Região dos Vinhos Verdes e em Trás-os-Montes, cinco territórios com identidades vitivinícolas e recursos paisagísticos, culturais e gastronómicos próprios, mas com necessidades e oportunidades diferentes.

O estudo propõe um roteiro para transformar os recursos vitivinícolas em produtos turísticos mais completos e comercializáveis, combinando a visita às adegas com a gastronomia, a natureza e a cultura local.

Com esta abordagem integrada, pretende-se aumentar o tempo de permanência dos visitantes e incentivar o consumo de produtos endógenos. Desta forma, o plano visa gerar atividade económica contínua, dinamizando os territórios para além dos períodos de maior afluência turística.

Na Ribeira Sacra, a denominação de origem reúne mais de 96 adegas, mais de 2000 viticultores e cerca de 2500 hectares de vinha, contando com 36 adegas visitáveis. O estudo aponta como principal desafio aproveitar este potencial para enriquecer as experiências ligadas ao vinho e articulá-las com os recursos turísticos da região.

Em Valdeorras, o relatório identifica como elementos diferenciais a casta Godelho, a qualidade dos seus vinhos e o património associado às covas tradicionais. O estudo destaca especialmente iniciativas como a “Valdeorras Oculto”, que valoriza este património através de percursos e experiências, e propõe reforçar a sua programação ao longo de todo o ano para ajudar a reduzir a sazonalidade.  

No Douro, onde o enoturismo já se encontra consolidado e com projeção internacional, o principal desafio passa por manter a capacidade de inovação e melhorar a distribuição dos fluxos turísticos. O objetivo é potenciar a harmonia entre a paisagem, as quintas, o rio, a gastronomia e o património para criar novas experiências.

Na região dos vinhos verdes – Entre-Douro e Minho – a diversidade das suas nove sub-regiões apresenta-se como uma oportunidade para estruturar uma oferta enoturística diversificada. Esta aposta conjuga a paisagem atlântica, as adegas locais, a gastronomia e as atividades em plena natureza.

Em Trás-os-Montes, o relatório identifica como principais elementos diferenciadores a autenticidade da região, a montanha, a gastronomia, o vinho e o termalismo. O principal desafio consiste em estruturar e profissionalizar a oferta turística, articulando-a com outros recursos locais para criar propostas atraentes ao longo do ano.
Converter o vinho numa experiência turística

O relatório propõe ampliar a oferta enoturística para que o vinho funcione como o ponto de partida de experiências. Essa abordagem visa integrar a gastronomia, o património, a natureza e as diversas atividades disponíveis no território. O objetivo é transformar os recursos vitivinícolas em produtos turísticos mais apelativos.
O roteiro estratégico estipula a criação de pacotes turísticos diversificados. Além disso, propõe distribuir as atividades ao longo de todo o ano e reforçar a identidade e promoção dos destinos. Por fim, aposta na digitalização, na melhoria da formação profissional e no fortalecimento da cooperação entre empresas e agentes locais.

O roteiro aposta na colaboração entre as administrações públicas e o setor privado para dinamizar a economia local. Esta cooperação visa criar novas propostas, impulsionar a digitalização e melhorar a formação profissional dos agentes envolvidos.


Créditos: Go4Tours

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