Irão rejeita resolução da Agência Internacional de Energia Atómica

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Redigida por EUA, Reino Unido, França e Alemanha, a resolução aprovada no Conselho da AIEA contou com os votos contra da China, Rússia e Níger.

Redação |

Uma resolução da Agência Internacional de Energia Atómica acusa o Irão de violar as salvaguardas da entidade, ao não permitir inspeções nos seus locais nucleares. A AIEA encaminhou o assunto ao Conselho de Segurança da ONU pela primeira vez em mais de 20 anos.

A resolução exige que o Irão retome as inspeções nucleares. Além disso, o diretor-geral da Agência, o argentino Rafael Grossi, expressou preocupação com a falta de clareza sobre o destino do urânio enriquecido iraniano e as condições das instalações nucleares desde o início da guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão.

Redigida por EUA, Reino Unido, França e Alemanha, a resolução foi aprovada no Conselho da AIEA por 23 votos a 3, com 8 abstenções e uma ausência. A aprovação – que exigia o voto favorável de dois terços dos membros – contou com os votos contra da China, Rússia e Níger.

Em resposta à resolução da Agência de Energia Atómica, o Irão acusou os EUA e aliados europeus de utilizarem a Agência para fins geopolíticos, o que compromete a credibilidade da mesma e ameaça o regime internacional de não proliferação. Teerão negou violações de salvaguardas, justificando que as inspeções foram suspensas após a retirada de inspetores aquando os bombardeios de EUA e Israel em junho de 2025.

Rejeitando as exigências de retomada imediata das inspeções, o governo iraniano classificou como “irracional” e “materialmente impraticável” esperar o cumprimento normal dessas normas sob agressão contínua.

Para Teerão, a resolução representa uma tentativa de forçar a sua “rendição” após fracassos militares no último ano, questionando também a autoridade dos EUA para patrocinar a medida enquanto violam resoluções da AIEA que defendem soluções diplomáticas.

Segundo Kazem Gharibabadi, vice-ministro das Relações Exteriores, em publicação na rede social X, os ataques às instalações nucleares protegidas interromperam a verificação, servindo depois de pretexto para adotar sanções.

Em declaração conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, Irão, China e Rússia classificaram o projeto de resolução como “não relevante“.

O texto aponta que o acionamento do mecanismo de “retrocesso” do acordo nuclear de 2015 carece de base legal, pois expirou em outubro de 2025. Os três países destacaram que Teerão manteve boa cooperação com a Agência, apesar da guerra iniciada pelos EUA que gerou “condições extraordinárias” e tornou as inspeções eficazes “impossíveis”.

O Tratado de Não Proliferação de 1970 legitima cinco potências permanentes da ONU: EUA, Rússia, China, França e Reino Unido. À margem do tratado, Coreia do Norte, Índia e Paquistão realizaram testes. Israel completa o grupo das nove nações detentoras de armamento atómico, mantendo uma política de ambiguidade sem confirmar ou negar o seu arsenal. Adicionalmente, África do Sul, Bielorrússia, Ucrânia e Cazaquistão possuíram e abandonaram armas nucleares.

Segundo os dados do World Population Review para 2026, o inventário total de ogivas nucleares distribuído pelos nove países detentores totaliza 12.187, repartidas entre a Rússia (5.420), os EUA (5.042), a China (620), a França (370), o Reino Unido (225), a Índia (190), o Paquistão (170), Israel (90) e a Coreia do Norte (60).


Fotografias: Domínio Público, Governo de Irão

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