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Com taxas de mortalidade acima da média europeia, os dados parciais de 2026 continuam a expor falhas graves na prevenção e na fiscalização da sinistralidade laboral. Destacam-se os 4,23 óbitos por 100 mil trabalhadores na Galiza, bem como as taxas que oscilam entre 2,3 e 2,9 em Portugal.
Relatórios oficiais do Instituto de Segurança e Saúde Laboral da Galiza, bem como dados divulgados pela Autoridade para as Condições do Trabalho, expõem estatísticas consolidadas relativas a todo o ano de 2025 e ao primeiro período de 2026 que revelam tendências críticas.
Referente ao ano de 2025, os dados combinados, somam um total de 181 trabalhadores falecidos — dos quais 45 óbitos ocorreram na Galiza e 136 em Portugal. No que respeita à sinistralidade global com baixa médica, o acumulado atingiu 215.357 acidentes laborais, resultando da soma dos 30.750 casos registados no território galego e das 184.607 ocorrências comunicadas em Portugal.
A comparação europeia revela grandes disparidades nas taxas de incidência de mortes laborais por 100.000 trabalhadores. Enquanto a média comunitária do Eurostat se situa entre 1,5 e 1,7 mortes, a Galiza regista um valor de 4,23 sinistros mortais, e Portugal apresenta taxas que oscilam entre 2,3 e 2,9 óbitos.
No panorama setorial, a construção assume-se como um denominador comum. A Galiza também registou índices de incidência mais elevados na pesca, enquanto em Portugal as indústrias extrativas, continuam a concentrar a parte substancial dos acidentes mortais.
O perfil das vítimas também revela uma convergência. A maioria dos acidentados são homens, com as idades a concentrarem-se na faixa etária entre os 40 e os 64 anos.
No que diz respeito às tendências de 2026, na Galiza, entre janeiro e maio, 19 trabalhadores perderam a vida. Em Portugal, por sua vez, foram contabilizadas 81 mortes até ao final do verão (agosto), traduzindo-se numa média de cerca de três pessoas a perderem a vida no local de trabalho a cada semana.
No mesmo período, a Galiza registou 11.824 acidentes com baixa médica, traduzindo-se num decréscimo de 1,6% face aos 12.015 casos do período homólogo de 2025, enquanto os sinistros graves sofreram uma descida acentuada próxima de 20%, passando de 188 para 151 ocorrências. Em Portugal, foram contabilizados 260 feridos graves nestes primeiros meses, um cenário que mantém níveis de mortalidade laboral elevados em comparação com os anos anteriores, nomeadamente as 136 mortes registadas em 2025 e as 160 em 2024.
Reivindicações sindicais comuns
As organizações sindicais maioritárias — a CIG (Confederação Intersindical Galega) e a CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional) — unem-se na denúncia contra a cronificação da precariedade e da insegurança laboral como causas da sinistralidade laboral.
A precariedade, a subcontratação e a temporalidade são apontadas como causas de raiz da sinistralidade, além da denúncia da falta de meios de controlo e inspeção nos locais de trabalho. Paralelamente, a pressão e os ritmos de trabalho intensos, o recurso a horários desregulados e a instabilidade contratual impedem a aplicação efetiva da prevenção de riscos.
É denunciada também de forma sistemática a escassez crónica de recursos humanos e materiais de fiscalização e controlo, limitando a capacidade preventiva face aos incumprimentos patronais.
A CIG e a CGTP-IN criticam ainda a tendência a desvalorizar episódios como enfartes ou derrames ocorridos em horário laboral, catalogando-os como meros problemas médicos particulares e ignorando o seu vínculo à sobrecarga laboral, aos excessos de jornada e ao stresse laboral crónico.
Os dois sindicatos exigem ainda um tratamento adequado para as patologias não traumáticas e os riscos psicossociais e rejeitam a leitura otimista das administrações face aos números.





