Da oliveira de 3.700 anos no Alentejo aos carvalhos milenares da Galiza

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Redação |

A ciência está a desvendar a verdadeira idade das nossas árvores. Investigações que que cruzam a botânica com modelos matemáticos, estão a revalidar séculos de mitos e tradição oral com provas científicas.
Entre todas as espécies, a oliveira destaca-se como a árvore que melhor resiste o tempo. A mais antiga certificada encontra-se na Herdade do Peso, na Vidigueira (Beja). Com uma idade estimada em 3.700 anos, a Oliveira do Peso é um tesouro que disputou o título de “Árvore Portuguesa do Ano 2024”.

Não muito longe, no concelho de Abrantes, situa-se a Oliveira do Mouchão. Com 3.350 anos, o seu tronco, roído pela devastação do tempo, é apenas a fachada de uma vitalidade interna que continua a alimentar a produção de azeitonas.

A lista prossegue com exemplares em Santa Iria de Azóia e Monsara,z com 2.850 e 2.450 anos respetivamente, além de dezenas de outras oliveiras mapeadas em Estremoz, Montemor-o-Novo, Lagoa, Vilamoura e até no Norte, no Parque de Serralves, no Porto, entre outras.
Enquanto a oliveira define a longevidade no sul e centro, o Norte e a Galiza conservam espécimes centenários de outras espécies.

No distrito de Vila Real, o Castanheiro de Guindo – em Vilar de Ferreiros, Alijó – ergue-se com cerca de 1.000 anos de história. A seu lado, o Castanheiro de Pumbarinhos, em Maceda de Trives – declarado “Monumento Natural em 2000” – ostentava, em 2021, 13,18 metros de perímetro, uma altura de 16,80 metros e uma copa com 18,8 metros de diâmetro. Embora não exista uma datação oficial por métodos científicos, a sua idade é estimada em mais de 500 anos.

Já nas serras de Arcos de Valdevez, o Teixo de Pardelhas ultrapassa os 400 anos de idade, enquanto na região de Celorico da Beira o Sobreiro do Vale do Pereiro testemunha entre 500 a 600 anos.

O Carvalho Grande de Cartelos, em Carvalhedo (Lugo), com cerca de 36 metros de altura e um perímetro de base que ultrapassa os 11 metros, teve a sua idade estimada em cerca de 2.000 anos. Contudo, a idade foi calculada em 1967, mediante a extração de uma amostra transversal do tronco para proceder à contagem dos anéis de crescimento, pelo que a fiabilidade da datação não oferece garantias.

Outro pilar da história natural galega é a Carvalha da Rocha, em Rairiz de Veiga (Límia). Classificada como Monumento Natural, as análises em ramos caídos confirmaram pelo menos 835 anos de vida, embora a estimativa para o espécime completo sugira que a árvore tenha ultrapassado o milénio.

A partir de 2004, arrancou o trabalho de investigação na UTAD. Liderada por José Luís Lousada, a equipa da universidade desenvolveu um método de datação que ultrapassa a barreira da dendrocronologia tradicional — a contagem de anéis de crescimento. Esta técnica, eficaz em árvores jovens ou específicas, falha com espécimes milenares, cujo interior do tronco sofre de apodrecimento.

O método de datação deu origem a uma patente, registada sob a designação “Método para estimativa da idade de árvores idosas”. A chave reside num princípio dendrométrico simples: mesmo quando os troncos ficam ocos, a árvore continua a aumentar o seu perímetro.

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