Projeto-piloto para proteger cavalos-marinhos no Estuário do Tejo

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Iniciativa de restauro ecológico arranca com a instalação de abrigos subaquáticos validados junto da comunidade piscatória local. A WWF Portugal deu início, no estuário da Trafaria, a uma intervenção de restauro ecológico destinada à preservação das populações locais de cavalos-marinhos.

Redação |

A frente ribeirinha da Trafaria alberga uma das comunidades de cavalos-marinhos de maior densidade conhecidas na sua área de distribuição, reunindo exemplares do cavalo-marinho-comum e do cavalo-marinho-de-focinho-comprido. O local destaca-se ainda pelo registo de alguns dos maiores indivíduos destas espécies alguma vez documentados.

Apesar da sua relevância biológica, o habitat no Tejo enfrenta forte degradação decorrente de pressões humanas acumuladas, designadamente a acumulação de lixo marinho, a poluição da água e o ruído subaquático gerado pelo tráfego marítimo.

A ação é desenvolvida em parceria com a Associação Ciência e Educação para a Conservação da Biodiversidade Marinha (Mardive) e integra o projeto D-Evolução, que visa recuperar habitats críticos em todo o país.

A primeira fase no terreno prevê a instalação de nove abrigos subaquáticos, distribuídos por três pontos estratégicos do estuário, destinados a fornecer zonas seguras de refúgio e fixação para estes cavalos-marinhos.

O arranque da intervenção sucede a vários meses de diagnóstico científico e auscultação da comunidade. Ao longo da fase preparatória, foram realizadas entrevistas locais e uma sessão pública de esclarecimento para recolha de contributos da população. A localização final das estruturas foi validada diretamente com os pescadores da Trafaria.

O cavalo-marinho-comum (Hippocampus hippocampus) e o cavalo-marinho-de-focinho-comprido (Hippocampus guttulatus) são as únicas espécies nativas da costa portuguesa e europeia, habitando estuários e pradarias marinhas.

Apresentam reprodução marcada pela gravidez masculina: a fêmea transfere os ovos para a bolsa incubadora do macho, responsável pela fertilização e gestação. Nutrem-se por sucção rápida, alimentando-se de zooplâncton e pequenos crustáceos.

Nas últimas décadas, as populações do Atlântico ibérico sofreram acentuados declínios devido à destruição de habitats, poluição, tráfego marítimo e captura acidental na pesca.

O D-EVOLUÇÃO é um programa de restauro ecológico focado em travar a perda de biodiversidade e reverter os processos de degradação promovido pela WWF Portugal em parceria com a Associação Natureza Portugal. Alinhado com as diretrizes da Lei Europeia do Restauro da Natureza, o projeto combina a fundamentação científica com a participação das comunidades e dos agentes do território.

A iniciativa centra a sua atuação em três geografias estratégicas. Para além da colocação de abrigos subaquáticos para as populações de cavalos-marinhos, na Serra do Caldeirão, no Algarve, o foco incide no restauro florestal, com a recuperação de solos degradados por incêndios, a promoção da vegetação autóctone e o reforço da resiliência hídrica. Por fim, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, as intervenções priorizam a proteção das linhas de água, a conservação das florestas nativas e a melhoria da conectividade ecológica para a fauna local, como o lobo e o coelho-bravo.


Fotografias | Do estuário: wikimedia commons, do cavalo-marinho: Mardive

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