Onda soberanista avança na Escócia, em Gales e Irlanda do Norte

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O Plaid Cymru, foi a força mais votada no País de Gales. Na Escócia, o referendo pela independência regressa ao horizonte doze anos após a última consulta. Já o European Movement Ireland, situa o apoio a uma “Irlanda unida dentro da União Europeia” em 59% na república irlandesa e em 63% na Irlanda do Norte.

Redação |

Pela primeira vez desde a criação do sistema de devolução de poderes em 1999, os cenários políticos na Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte são liderados por partidos soberanistas. As novas aritméticas parlamentares marcam a ascensão e consolidação destes partidos focados na independência e no retorno à União Europeia.

As eleições celebradas no passado maio, confirmaram a influência do SNP ou Pàrtaidh Nàiseanta na h-Alba (Partido Nacional Escocês), o Plaid Cymru (Partido do País de Gales) e o Sinn Féin (Nós Mesmos), que assumiram os governos respetivos, refletindo mudanças profundas no equilíbrio de poder.

Se esta tendência se confirmar e o Reform UK – anteriormente conhecido como Brexit Party – acabar por conquistar Downing Street, o Reino Unido encontrar-se-ia pela primeira vez com um governo associado a um nacionalismo inglês excludente. Essa conjuntura, quase por uma reação mecânica, alimentaria as pulsões independentistas.

Na Escócia, o referendo pela independência regressa ao horizonte doze anos após a consulta de 2014, ganha pelo “não” com 55% dos votos. O Partido Nacional Escocês alcançou a sua quinta vitória consecutiva, com 58 dos 129 lugares no parlamento, é obrigado a governar em minoria. No entanto, os sete deputados do Partido Verde, que também defendem a independência, garantem-lhe uma folgada maioria.

No que diz respeito ao referendo de independência, a via constitucional não admite atalhos: após a sentença do Supremo Tribunal britânico de 2022, e com o precedente do referendo, Edimburgo carece de competência para legislar unilateralmente. Assim, qualquer consulta popular vinculativa deve ser aprovada pela Câmara dos Comuns e pela Câmara dos Lores — ambas com sede em Londres e constituídas por representantes das quatro nações —, bem como pelo próprio Parlamento escocês.

Nas eleições de maio, à semelhança do que aconteceu na Escócia, o Partido do País de Gales, uma formação de esquerda e soberanista, foi a força mais votada, conquistando 43 dos 96 lugares. Embora no País de Gales ainda não se tenha verbalizado um desafio em moldes de referendo, a conquista do Governo pela primeira vez constitui um marco histórico.

O resultado deixou o Partido Trabalhista na terceira posição, com apenas nove deputados, o que representa o seu pior registo desde a devolução de poderes de 1999. Por sua vez, o populismo de direita representado pelo Reform UK cresceu de zero para 34 assentos.

Na Irlanda do Norte, o Sinn Féin — favorável à reunificação da Irlanda — tornou-se a primeira força no Parlamento, ao alcançar 27 lugares nos comícios de 2022, face aos 26 do Partido Unionista Democrático, que defende a permanência no Reino Unido.

Por sua vez, na República da Irlanda, o Sinn Féin consolidou-se nas últimas duas décadas como a segunda força com 39 dos 174 lugares após as eleições gerais de novembro de 2024, apesar de um recuo de 5,5 pontos em relação a 2020.

Em ambos os lados da fronteira a opção de um referendo sobre a reunificação ganha tração e, Mary Lou McDonald, presidente do Sinn Féin, mantém o horizonte de um referendo “antes de 2030”.

O objetivo final do Plaid Cymru é um País de Gales independente como Estado-membro de pleno direito na União Europeia. Desse modo consideram o retorno à União Europeia ou, pelo menos, ao mercado único, como a via mais eficaz para estabilizar a economia galesa e proteger setores como o comércio e a agricultura. O partido apoia o alinhamento de leis galesas com os padrões europeus e exige que o Governo Galês tenha assento nas discussões europeias que impactam diretamente o país.

Já o SNP durante o referendo de 2016 (onde 62% dos escoceses votaram para ficar) defendeu a permanência na UE e considera a saída do bloco um erro económico e social imposto por Westminster. Assim, a política oficial do partido escocês é alcançar a independência adquirindo também o estatuto de país-membro da UE.

Na Irlanda do Norte, o Sinn Fein — durante a adesão britânica à UE mantendo-se como eurocético— lidera o Executivo de Belfast com Michelle O’Neill sendo agora fortemente a favor da União Europeia, defendendo assim o estatuto especial da Irlanda do Norte para evitar fronteiras físicas com a República da Irlanda após o Brexit.

Quanto ao conjunto da Ilha de Irlanda, segundo uma sondagem do European Movement Ireland, elaborada em março deste ano, 63% dos cidadãos da Irlanda do Norte e 59% da República de Irlanda mostraram o seu apoio a uma Irlanda unida dentro da União Europeia, valores notavelmente superiores aos registados há uma década.

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