Redação |
O avanço acelerado do consumo de vídeos e plataformas digitais caminha lado a lado com o receio da desinformação e a queda na credibilidade da imprensa. Essa é a principal contradição apontada pelo Digital News Report 2026, do relatório publicado pelo Reuters Institute no último dia 16 de junho.
O documento acende um alerta para o setor ao desenhar um cenário de profunda transformação no comportamento do público. O relatório aponta um cenário de crescente volatilidade e ansiedade global. Diante de turbulências políticas, económicas e da rápida evolução da inteligência artificial, as audiências demonstram cansaço e cinismo, mas mantêm uma expectativa firme sobre o papel essencial do jornalismo.
Entre os principais achados do relatório do Reuters Institute, destaca-se o fato de que as plataformas de vídeo e as redes sociais aparecem no topo. Pela primeira vez na média global analisadas, as redes sociais e plataformas de vídeo (54%) ultrapassaram os sites e aplicativos próprios dos meios de comunicação (51%) como fontes principais de notícias.
Uma outra constatação significativa do estudo é o avanço dos chatbots de inteligência artificial para acessar notícias subiu para 10% (comparado a 7% em 2025). O crescimento é liderado por jovens menores de 35 anos e o recurso mais valorizado é a possibilidade de aprofundar e fazer perguntas complementares sobre os fatos.
Também se está a produzir o predomínio absoluto do vídeo. Cerca de 77% da população consome notícias em formato de vídeo semanalmente. O crescimento se concentra em plataformas de terceiros (como TikTok, Instagram e YouTube), em detrimento da televisão tradicional e dos próprios sites dos meios.
Quanto ao papel dos criadores de conteúdo, quase metade das pessoas consome conteúdos de criadores digitais em geral, e 27% buscam influenciadores focados em notícias. Estes são vistos como mais próximos e fáceis de entender, embora o público reconheça que são menos confiáveis e mais parciais que a imprensa tradicional.
O estudo também constata uma queda no interesse e na confiança por notícias, caindo 13 pontos percentuais desde 2021. Paralelamente, a confiança geral nas notícias atingiu seu nível mínimo histórico (37% na média global), influenciada também pelo descrédito nas instituições e por ataques políticos à imprensa.
No entanto, há clara insatisfação com a cobertura prática de temas complexos, como os fluxos migratórios. Porém, apesar da polarização, a maior parte do público (45%) ainda prefere e apoia a cobertura jornalística neutra e imparcial.
Já no que se refere ao financiamento, o índice de pessoas que pagam por notícias online estagnou em 17%. O declínio no acesso direto aos sites tradicionais dificulta a atração de novas assinaturas, embora haja um mercado resiliente que apoia o jornalismo por motivações de valor social.





