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Coincidindo com o Dia Mundial do Ambiente, o Partido Ecologista Os Verdes iniciou uma série de ações em Trás-os-Montes para defender o território, as populações e a natureza. A primeira ação consistiu na recolha de assinaturas para uma carta aberta à Ministra do Ambiente e Energia.
A iniciativa surge como contestação a vários projetos considerados invasivos, nomeadamente as minas do Romano, do Barroso, da Borralha e de Avidagos. A contestação estende-se aos parques solares de Travanca em Mogadouro e de Carviçais na Torre de Moncorvo, bem como aos parques eólicos do Tâmega em Salto, Montalegre e de Avelanoso em Miranda do Douro e Vimioso. O protesto abrange ainda a Central Fotovoltaica do Planalto, também localizada em Mogadouro.
O posicionamento d’Os Verdes junta-se à contestação popular na região. Estes projetos são acusados de usurpar terras e recursos estratégicos, estrangulando gravemente a economia e a vida das populações locais. Além dos impactos no meio natural, critica-se o facto de os empreendimentos visarem apenas o lucro de grandes empresas do setor energético.
O comunicado denuncia o abandono do interior através do fecho de escolas, centros de saúde, CTT e linhas ferroviárias. Esta desconsideração penaliza gravemente a mobilidade e a qualidade de vida local e afeta diretamente as populações que resistem no território, trabalham a terra e preservam o património cultural.
Os Verdes denunciam que muitos destes projetos se sobrepõem ou situam-se perigosamente próximos de zonas integradas na Rede Nacional de Áreas Protegidas, na Rede Natura 2000 e contra territórios classificados ao abrigo de compromissos internacionais, nomeadamente pela FAO.
O partido alerta ainda que o Estado optou por ignorar as avaliações de impacto cumulativo e os planos de salvaguarda dos valores naturais, ameaçando diretamente a água potável, a biodiversidade e as espécies protegidas. Esta negligência compromete também o futuro económico da região, ao desconsiderar os impactos devastadores na agricultura, na apicultura e na produção animal, setores que sustentam a economia local. Por fim, a organização ecologista realça que o avanço destes empreendimentos trará graves consequências para o turismo, destruindo a atratividade destas regiões e o seu património natural.
Na carta aberta, Os Verdes apelam ao Governo para que considere projetos alternativos de energia renovável descentralizada e de proximidade, como a instalação de painéis solares em telhados, edifícios do Estado e parques de estacionamento. O partido defende que estas soluções devem potenciar a capacidade produtiva regional e ser colocadas diretamente ao serviço dos produtores locais.


