Chegada da alga exótica invasora Rugulopteryx okamurae está a causar impactos ambientais e socioeconómicos significativos. Desde 2022 foi incluída na lista de espécies exóticas invasoras que preocupam a União Europeia.
Redação |
A alga Rugulopteryx induz mudanças drásticas nas comunidades locais, homogeneizando o fundo do mar e tornando-se a espécie dominante. Uma preocupação especial diz respeito aos impactos dos prados de Rugulopteryx que podem afetar os equilíbrios ecossistémicos que este habitat proporciona.
Esta alga parda foi observada pela primeira vez no Algarve em 2020. Em 2021, formou proliferações maciças especialmente ao longo das zonas rochosas da costa perto de Portimão, Lagos e Sagres. Só em 2022 é que foram observados exemplares na costa ocidental do Alentejo. No ano seguinte, a sua área de distribuição tinha ultrapassado o norte de Portugal continental, mas a expansão local da biomassa no centro, só foi observada em 2024.
Em junho de 2024, foi detetada pela primeira nas costas galegas, confirmando a sua propensão para a dispersão a longa distância e a sua capacidade de prosperar em condições mais frias. Na Galiza, foram inicialmente detetadas duas populações bem desenvolvidas a cobrir até 100% do leito marinho. Atualmente, conhecem-se quatro populações, localizadas na entrada das rias e em torno dos portos.
Em entrevista à revista Wilder, o biólogo marinho João Canilho, afirmou que a Rugulopteryx okamurae “parece ser imune à herbivoria ao apresentar compostos que detêm e lhe conferem resistência a alguns herbívoros nativos, reduzindo assim a sua predação e permitindo que estenda o seu domínio sobre o espaço de outras algas. Ao aumentar a sua área, reduz a de algas nativas mais sensíveis, como as algas coralinas.”
A expansão da alga já motivou o governo português a aprovar uma estratégia nacional para travar o seu avanço. Por sua parte, o projeto Algasdet, executado pela Universidade de Santiago e pela Conselharia do Mar do Governo galego, acaba de iniciar a fase de recolha de amostras em 90 pontos de extração ao longo dos 1498 km da costa.

