Académicos da UMinho repudiam receção de autarca de Guimarães a embaixador israelita

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Redação |

No passado 14 de outubro, um grupo de docentes investigadores e trabalhadores da Universidade do Minho manifestou publicamente o seu repúdio pela receção do embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, por parte do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo.

O encontro em causa visava, segundo informação divulgada pelo município, explorar “novas possibilidades de colaboração em áreas estratégicas para o desenvolvimento do território, como a inovação, a tecnologia, a proteção civil, a qualificação de recursos humanos e a atração de investimento” — justificativa que não travou as críticas da comunidade académica.

Perante a contestação cívica e académica, o autarca do PSD justificou o encontro com a normalidade do protocolo diplomático, garantindo que o acolhimento ao embaixador não traduz qualquer tomada de posição sobre a política externa de Israel.

Para os signatários, contudo, o episódio é de “uma gravidade extrema” por considerar que contribui para “branquear um genocídio de dimensões terríveis” em curso na Palestina. Os académicos sublinham que o diplomata representa um Estado ao qual atribuem a responsabilidade pela morte de mais de 70 mil pessoas nos últimos três anos, entre as quais mais de 20 mil crianças.

No mesmo documento, os subscritores acusam o diplomata de ser o “representante desse crime” em Portugal, criticando a forma como foi acolhido pela autarquia e apontando que Oren Rozenblat tem defendido, “com uma arrogância acintosa e insolente”, as ações do governo, das forças militares e dos colonos israelitas.

Os signatários acrescentam que o diplomata costuma proferir “ameaças e comentários inaceitáveis” contra quem denuncia a situação na Palestina, acusando o estado de Israel de tentar “encobrir o inferno” no território.
No comunicado, o grupo sublinha a sua responsabilidade académica na “procura da verdade e preservação da memória”, recusando “pactuar com o esquecimento” ou com a normalização daquele que consideram ser um crime contra a humanidade.

O embaixador do regime israelita Oren Rozenblat reunido com o presidente do PSD Ricardo Araújo

A declaração enviada aos órgãos de comunicação social termina com um conjunto de interpelações diretas ao presidente da Câmara de Guimarães. Os subscritores questionam se o autarca tem consciência de que o seu gesto contribui para obliterar a situação e se não entende que manter uma atitude de «business as usual» equivale a validar este nível de violência por interesses mútuos.

O grupo pergunta ainda se o edil considera que um genocídio pode ser apagado por “um aperto de mão condescendente” e se compreende que a sua posição alimenta a descrença nos Direitos Humanos e no Direito Internacional. Por último, os académicos inquirem se Ricardo Araújo não se sente desconfortável por assumir uma postura ao arrepio do consenso representativo dos munícipes que o elegeram.

Oren Rozenblat ficou famoso em Portugal por negar a fome em Gaza

O documento conta com a assinatura de 65 docentes, investigadores e trabalhadores não docentes da Universidade do Minho. O protesto reune representantes de 12 unidades orgânicas e serviços da instituição — designadamente o Instituto de Ciências Sociais, o Instituto de Educação, o Centro de Investigação em Educação, a Unidade de Serviços Financeiro e Patrimonial e as Escolas de Engenharia, Arquitetura, Letras, Economia e Gestão, Direito, Ciências, Medicina e Psicologia.

O embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, tornou-se conhecido em 2025 por acusar instituições internacionais como a ONU de divulgar, segundo ele, “teses falsas” chegando a afirmar que “ninguém morreu de fome” e “a situação em Gaza não é tão má como se vê na TV portuguesa, eles não estão com fome ou com sede”.


Fotografia: Câmara Municipal de Guimarães

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